CSN anuncia em 10 dias venda de operação e incluirá ativo principal em plano de desmobilização

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional deve anunciar em 10 dias a venda de uma operação do grupo e na sequência deve anunciar uma negociação futura que deve incluir parte de um de seus ativos principais, afirmaram executivos da empresa nesta terça-feira.

"Precisamos de liquidez e estrutura de capital melhor. Estamos trabalhando em diversas frentes de desmobilização e inclusive sobre uma parte de um dos ativos principais nossos", disse em teleconferência com analistas o presidente-executivo da CSN, Benjamin Steinbruch, sem dar detalhes.

A empresa anunciou na noite da véspera que encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de cerca de 60 milhões de reais. A alavancagem saltou para 8,3 vezes a dívida líquida sobre Ebitda ajustado ante 5,6 vezes no mesmo período de 2015.

O mercado aguarda há anos por vendas de ativos da CSN e os comentários do executivo foram semelhantes aos feitos por ocasião da divulgação dos resultados do primeiro trimestre, em maio, quando Steinbruch comentou que a empresa esperava concluir até o final de junho uma venda de ativo.

Às 14h31, as ações da CSN exibiam queda de 2 por cento, enquanto o Ibovespa mostrava oscilação negativa de 0,21 por cento.

Steinbruch comentou ainda que espera que a CSN apresente lucro líquido no terceiro trimestre, apoiada por altas nos preços de minério de ferro e expectativa de melhora na demanda por aço no país, apesar do mercado automotivo, um dos principais clientes da indústria siderúrgica, seguir apresentando forte queda de vendas e produção.

Segundo o presidente da CSN, a empresa deve apresentar nos resultados do terceiro trimestre um crescimento da margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). "25 por cento é uma realidade", disse Steinbruch. No trimestre passado, a margem Ebitda ajustada foi de 18,7 por cento ante 20,2 por cento um ano antes.

O executivo afirmou que espera um ambiente de estabilidade de preços de aço no segundo semestre, e o diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, afirmou que a empresa vê como difícil a possibilidade de implementação de reajuste de preços para as montadoras de veículos neste ano.

"Ainda estamos negociando com as montadoras. Não temos contratos anuais com elas, mas o cenário não é favorável para aumentos de preços no setor automotivo", disse o Martinez.

"Mas para o próximo ano estamos discutindo aumento de dois dígitos para indústria automotiva", disse. Ele comentou ainda que a recuperação da demanda por aço no Brasil pode ser mais rápida que o esperado se o PIB voltar a crescer em 2017 como o esperado.

Operacionalmente, a CSN prepara para a primeira semana de outubro o religamento do alto-forno 2, parado em janeiro para manutenção, disseram os executivos. O equipamento pode produzir cerca de 1,8 milhão de toneladas de aço por ano, ou 30 por cento da capacidade de produção da usina da companhia em Volta Redonda (RJ).

Martinez comentou que a intenção da empresa é voltar com o forno em sua capacidade plena, depois que a CSN comprou placas de aço e bobinas a quente de outros fabricantes para atender a demanda.

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