Isaquias muda patamar da canoagem no Brasil e vira sensação olímpica no Rio

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Praticamente desconhecidos no Brasil antes da Olimpíada, Isaquias Queiroz e a canoagem velocidade se tornaram motivo de orgulho e admiração da torcida brasileira depois que o canoísta baiano conquistou duas medalhas em suas duas primeiras provas na Rio 2016, e ainda prometeu mais antes do fim dos Jogos.

Isaquias, de 22 anos, se igualou nesta quinta-feira a ídolos do esporte olímpico nacional como os nadadores Cesar Cielo e Gustavo Borges ao conquistar duas medalhas na mesma edição de uma Olimpíada, um bronze nos 200m nesta quinta e a prata nos 1.000m na terça.

Ao passar com a medalha no peito perto do público foi ovacionado e tietado como se fosse um astro do futebol, com inúmeros pedidos de autógrafos e selfies, praticamente todos atendidos pelo jovem de origem humilde de Ubaitaba, que foi descoberto para o esporte em um projeto social em sua cidade.

"Hoje estava muito lotado o estádio da Lagoa, então eu tinha que dar o meu máximo para fazer o Brasil ficar feliz", disse Isaquias em uma concorrida entrevista depois da prova, sob gritos de apoio dos torcedores que aguardaram debaixo de sol forte para registrar a passagem do novo ídolo.

"Quando eu estava lá atrás eu vi que tinha gente lá, gente aqui, e falei 'nossa, isso aqui tá lotado', e foi muito legal ver esse pessoal todo. É a primeira vez que vejo um público assim, nem em Mundial na Hungria e na Alemanha, onde o pessoal gosta muito de canoagem, estava assim", afirmou.

A segunda medalha olímpica de Isaquias foi acompanhada por uma arquibancada lotada no Estádio de Remo da Lagoa, com capacidade para 7 mil pessoas, além de multidões espalhadas pelo entorno do espelho d'água do ponto turístico da zona sul carioca para torcer pelo canoísta, que não desapontou.

Apesar de ter acertado a largada, Isaquias logo ficou para trás dos outros competidores devido a uma remada em falso no início da disputa, e precisou se esforçar bastante para recuperar terreno durante a curta distância percorrida sobre as águas da lagoa.

O brasileiro cruzou a linha de chegada irritado e bateu com o remo no caiaque, inclusive caindo na água, por acreditar ter ficado fora do pódio, mas após alguns segundos de espera pode comemorar o terceiro lugar, que mantém vivo o sonho de se tornar o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas em uma mesma Olimpíada.

"Eu saí bem em questão de a remada não perder muito tempo na saída, mas acabei dando remada em falso logo depois, o barco patinou muito, já vi os caras colocarem meio barco na frente, quase um barco... se eu não tivesse errado muito acho que poderia ter ganhado a medalha de ouro", disse Isaquias, que chegou atrás do ucraniano Iurii Chebani, agora bicampeão olímpico da prova, e de Valentin Demyanenko, do Azerbaijão.

Encerrada sua participação nas provas individuais na Rio 2016, Isaquias agora voltará as atenções para a disputa da prova em duplas de 1.000m ao lado de Erlon de Souza, com eliminatórias na sexta-feira.

Um dos desafios do canoísta para a Olimpíada é se preparar ao mesmo tempo para três provas diferentes, e por isso Isaquias se apressa para voltar a treinar logo depois que encerra suas competições. Seu treinador, o espanhol Jesus Morlán, é conhecido pelo rigor nos treinamentos, que resultaram até o momento em sete medalhas em Jogos Olímpicos como técnico.

"Como seria bom ir para a Bahia descansar, mas agora que já fiz o meu trabalho e já ganhei minhas medalhas quero ir para cima para fazer meu amigo Erlon de Souza também fazer história com o nome dele nos Jogos Olímpicos e ganhar medalha, e ganhar a medalha de ouro que a gente merece", afirmou.

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