Reino Unido lança imposto sobre refrigerantes açucarados para combater obesidade

LONDRES (Reuters) - O Reino Unido disse nesta quinta-feira que irá taxar companhias que vendem refrigerantes açucarados e investir a arrecadação em programas de saúde para crianças em idade escolar, parte de uma estratégia para combater a obesidade há muito aguardada, mas que críticos dizem ser muito tímida.

Os fabricantes de bebidas também atacaram o plano, que pede a eles que reduzem urgentemente os níveis de açúcar em produtos direcionados ao público infantil sob o argumento de que quase um terço das crianças entre 2 e 15 anos já está acima do peso ou obesa.

Em um comunicado com detalhes da estratégia, que tem sido desenhada por diversos anos, o governo disse que a obesidade custa bilhões de libras ao Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) todos os anos.

Mas o professor de medicina cardiovascular e presidente do conselho do grupo Ação contra o Açúcar, Graham MacGregor, criticou o plano e disse que ele não é uma resposta à altura da crise de obesidade e diabetes, que "irá quebrar o NHS a menos que algo radical seja feito".

Ao estabelecer um imposto sobre o açúcar, o Reino Unido junta-se a Bélgica, França, Hungria e México, que já impuseram alguma forma de taxação sobre bebidas com adição de açúcar. Países escandinavos também têm adotado impostos similares por muitos anos.

Os planos do Reino Unido preveem a aplicação do imposto às bebidas com um teor de açúcares totais superior a 5 gramas por 100 ml, com possibilidade de taxas maiores para bebidas ainda mais açucaradas.

O departamento de saúde do governo diz que bebidas açucaradas são a maior fonte de açúcar para as crianças, e que uma criança pode consumir mais do o volume diário recomendado com apenas uma lata de refrigerante, que contém nove colheres de chá de açúcar.

Por outro lado, o diretor-geral da Associação Britânica de Bebidas Leves, Gavin Partington, disse que o imposto é "punitivo" e irá "causar milhares de perdas de empregos sem causar um impacto significativo nos níveis de obesidade".

(Por Kate Kelland)

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