Enviado de direitos humanos da ONU acusa autoridades da China de interferência

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Um enviado de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira que o governo da China interferiu com seu trabalho durante uma visita ao país, impedindo acesso a indivíduos que ele tinha esperança de encontrar.

Philip Alston, Relator Especial da ONU para Pobreza Extrema e Direitos Humanos, disse a repórteres ao final de uma visita de nove dias à China que havia notificado o governo com antecedência sobre os acadêmicos com quem queria se encontrar durante sua estadia, uma prática rotineira para um Relator Especial da ONU.

"Nenhum destes encontros foi arranjado e a mensagem que recebi de muitas das pessoas que contatei foi que elas haviam sido aconselhadas a estar de férias na ocasião", disse o australiano Alston, professor de Direito da Escola de Direito da Universidade de Nova York.

O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

"A posição que a Organização das Nações Unidas sempre seguiu, e que eu segui em cada um dos países que já visitei, e foram muitos, é que o relator tem direito de se encontrar com quem quer que deseje encontrar, que tem direito de ir onde quer que deseje ir", afirmou Alston.

Desde que assumiu o cargo mais de três anos atrás, o presidente chinês, Xi Jinping, vem reprimindo a dissidência, refreando a mídia e a sociedade civil e detendo dezenas de ativistas de direitos humanos.

Os grupos de direitos humanos dizem que o governo está tentando silenciar seus críticos e também argumentam que as minorias étnicas do país, especialmente em locais como Tibete, Mongólia Interior e Xinjiang, região do oeste chinês, enfrentam medidas discriminatórias severas.

O governo rejeita de forma rotineira as críticas contra suas políticas para populações minoritárias e nega qualquer abuso de direitos humanos ou de liberdade de expressão, dizendo que está perseguindo os fora da lei.

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