Etiópia diz que corredor medalhista que protestou na Rio 2016 será recebido como herói

Por Sally Hayden

LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - O governo da Etiópia deu garantias públicas de que o maratonista que conquistou uma medalha de prata na Olimpíada do Rio de Janeiro, Feyisa Lilesa, estará seguro se voltar para o país, apesar de ter protestado contra o tratamento dado a seu povo quando cruzou a linha de chegada.

Lilesa cruzou os braços acima da cabeça formando um "X", um símbolo usado amplamente como marca da resistência da etnia oromo. O corredor campeão não voltou para a Etiópia após a Rio 2016 por temer por sua segurança, apesar de o governo ter dito que ele não será punido.

"Ele é sempre bem-vindo", disse o ministro das Comunicações do país, Getachew Reda, à Thomson Reuters Foundation, acrescentando que Lilesa é um "herói etíope".

"Ele foi selecionado entre muitos de sua área não porque defende esta ou aquela opinião política, mas porque é um grande, senão um dos maiores atletas de sua área. Ele apresentou resultados, e que resultados".

Em um e-mail enviado à Thomson Reuters Foundation, o ministro disse: "Ele é nosso herói. Essa é uma razão boa o suficiente para ele querer voltar para casa. Não acho que ele precise de minha garantia ou do primeiro-ministro ou de quem quer que seja. Ele é mais do que bem-vindo de volta".

Em uma entrevista à Thomson Reuters Foundation feita por Skype do Rio na quinta-feira, Lilesa disse temer que sua vida passe a correr risco se voltar e que não acredita nas garantias de que ficará seguro.

"Eles matam e não dizem ao mundo que matam, eles prendem e não contam para ninguém, então como posso acreditar nisso?", disse.

Lilesa disse não ter sido contatado diretamente por nenhuma autoridade do governo, mas que acha que não pode retornar à sua terra-natal depois de ter feito o gesto de protesto.

"Eu sabia que seria preso ou morto, que nunca teria permissão de sair daquele país e de participar de nenhuma competição ou corrida internacional. Estou bastante certo de que estas coisas aconteceriam comigo", afirmou.

O corredor de 26 anos afirmou que recebeu um visto temporário das autoridades brasileiras para permanecer no Brasil, mas que ainda não decidiu onde irá pedir asilo.

A região de Oromiya, lar de mais de 25 milhões de oromos étnicos, está passando por tumultos há meses devido a disputas por direitos territoriais e alegações de violações de direitos humanos.

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