Número de mortos por terremoto na Itália sobe para 281; funeral de Estado é planejado

Por Steve Scherer e Gabriele Pileri

PESCARA DEL TRONTO, Itália (Reuters) - A esperança de encontrar mais sobreviventes do forte terremoto que atingiu a Itália diminuiu nesta sexta-feira, com o número de mortos subindo para 281 e com a operação de resgate em algumas das áreas atingidas sendo encerrada.

Três dias após o terremoto arrasar o coração montanhoso do país, cães farejadores e equipes de emergência continuavam a vasculhar a cidade de Amatrice, mas sem sinal de vida sob os escombros.

"Só um milagre pode trazer nossos amigos de volta dos escombros, mas ainda estamos cavando porque muitos estão desaparecidos", disse o prefeito da cidade, Sergio Pirozzi, a repórteres, acrescentando que cerca de 15 pessoas, incluindo algumas crianças, continuam desaparecidas.

Em vilarejos próximos, como Pescara del Tronto, as equipes de resgates encerraram as buscas após todos os habitantes terem sido localizados.

A Itália planeja realizar um funeral de Estado para cerca de 40 das vítimas no sábado, na cidade vizinha de Ascoli Piceno. Um dia de luto nacional foi decretado, com bandeiras a meio mastro em todo o país.

O departamento de proteção civil em Roma disse que 388 pessoas feridas estão sendo tratadas em hospitais, sendo 40 em estado grave.

Mais de 1.050 tremores secundários atingiram a área desde o terremoto de magnitude 6,2 na quarta-feira, causando novos danos às estruturas ainda em pé. O terremoto original foi tão forte que a cidade mais próxima do epicentro, Accumoli, afundou 20 cm, de acordo com Instituto Geológico da Itália.

Na sexta-feira, a maioria das comunidades periféricas estava calma e vazia, com edifícios destruídos, os interiores de casas particulares expostos e pertences espalhados nos escombros.

"Retiramos os últimos corpos de que tínhamos conhecimento", disse Paolo Cortelli, membro do serviço nacional Resgate Alpino, que ajudou a recuperar cerca de 30 corpos de Pescara del Tronto.

As famílias se preparavam para sepultar seus mortos, e o primeiro enterro foi realizado nesta sexta-feira em Roma. Marco Santarelli, de 28 anos, filho de um funcionário de alto escalão do governo, morreu na casa de férias de sua família em Amatrice.

"Não encontro palavras para descrever a dor de um pai que sobrevive a seu próprio filho. Talvez não haja palavras", disse o pai de Marco, Filippo Santarelli, ao jornal Corriere della Sera.

No final do dia, seis outras vítimas foram enterradas, incluindo um menino de 8 anos e duas meninas de 14 e 15 anos de idade, na cidade de Pomezia, ao sul de Roma.

Autoridades disseram que 181 das vítimas tinham sido identificadas, incluindo pelo menos 21 crianças. O mais novo tinha apenas cinco meses e o mais velho 93.

MAIS TREMORES

A terra continuou a ser sacudida por tremores secundários, e pela segunda noite os sobreviventes dormiram em barracas montadas pelos serviços de emergência.

"Foi uma noite bem dura, porque você tem uma mudança significativa de temperatura aqui. Durante o dia é muito, muito quente, e de noite é muito, muito frio", disse Anna Maria Ciuccarelli, de Arquata del Tronto.

"Ainda há tremores secundários precedidos de estouros e, para nós que acabamos de passar por um terremoto, isso tem um efeito grande, especialmente psicológico", disse.

Cerca de 2.500 pessoas ficaram desabrigadas pelo sismo de magnitude 6,2 de quarta-feira, e o governo prometeu reconstruir as comunidades arrasadas.

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