Turquia não dá sinais de frear campanha na Síria, apesar de preocupações do Ocidente

Por Edmund Blair e Asli Kandemir

ISTAMBUL (Reuters) - O chefe do Exército da Turquia não deu sinais de que seu país irá desacelerar uma ofensiva na Síria que os EUA criticaram por estar visando tanto combatentes curdos apoiados pelos Estados Unidos quanto jihadistas, e disse que seus sucessos mostraram que o golpe de Estado fracassado do mês passado não afetou seu poderio militar.

Forças apoiadas pelos turcos iniciaram a ofensiva na semana passada ao capturar a cidade fronteiriça síria de Jarablus do Estado Islâmico, e depois avançar sobre áreas controladas por milícias alinhadas aos curdos que vêm recebendo ajuda norte-americana no combate aos jihadistas.

A Turquia, que combate uma insurgência curda em seu próprio território, disse com todas as letras que a chamada "Operação Escudo do Eufrates" tem o objetivo duplo de expulsar o Estado Islâmico e impedir que forças curdas ampliem as áreas que controlam ao longo da fronteira turca.

Washington disse que a operação de seu aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) arrisca minar a luta contra o Estado Islâmico por estar se concentrando nas milícias alinhadas aos curdos. Ancara afirma que não irá receber ordens de ninguém sobre como proteger a nação.

"Ao levar adiante a Operação Escudo do Eufrates, que é crucial para nossa segurança nacional e para a segurança de nossos vizinhos, as Forças Armadas turcas estão mostrando que não perderam nem um pouco de suas forças", disse o chefe do Estado-Maior, Hulusi Akar, em um comunicado emitido nesta terça-feira para marcar um feriado nacional.

Às vésperas do feriado do Dia da Vitória, o presidente turco, Tayyip Erdogan, disse que a operação irá continuar até que todas as ameaças, incluindo a dos milicianos curdos, tenham sido removidas da região da fronteira.

A Turquia ainda se recupera de uma tentativa de golpe no mês passado durante a qual comandantes militares rebelados usaram aviões de guerra e tanques para tentar depor Erdogan e o governo, expondo divisões na segunda maior força militar da Otan.

Ecoando os temores dos EUA sobre a ofensiva de Ancara na Síria, o presidente da França, François Hollande, disse entender a necessidade da Turquia de se defender do Estado Islâmico, mas que atacar forças curdas que lutam contra os jihadistas pode incendiar ainda mais a guerra civil síria de mais de cinco anos.

"Estas intervenções múltiplas e contraditórias implicam em riscos de uma conflagração generalizada", opinou ele durante um encontro de embaixadores franceses.

(Reportagem adicional de Andrew Callus e John Irish, em Paris; David Dolan e Nick Tattersall, em Istambul) 

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