Treze indianos são contaminados pelo Zika vírus em Cingapura

Por Raju Gopalakrishnan e Marius Zaharia

CINGAPURA (Reuters) - Treze cidadãos indianos estão entre as pessoas infectadas em um surto de Zika vírus em Cingapura, de acordo com uma fonte da representação da Índia na cidade-Estado.

Trabalhadores estrangeiros vêm sendo os mais afetados nos primeiros dias da epidemia da doença transmitida por mosquitos. Cingapura comunicou o primeiro caso de Zika contraído localmente no sábado.

Das 56 primeiras ocorrências de Zika identificadas até o final da segunda-feira, três dúzias eram de operários estrangeiros de um canteiro de obras onde trabalhavam e viviam com mais de 450 colegas.

O total de infecções de Zika chegou a 82 na terça-feira, mas o governo de Cingapura não explicou se algum dos casos mais recentes envolve trabalhadores de fora do país, nem respondeu a perguntas da Reuters sobre a nacionalidade dos infectados.

A fonte da Alta Comissão Indiana na cidade-Estado não sabia se os cidadãos indianos afetados são do setor da construção.

O Ministério de Assuntos Externos da Índia disse ter perguntado ao governo de Cingapura se algum de seus cidadãos está entre os diagnosticados com Zika vírus, mas ainda não ter tido resposta.

Muitos dos cerca de 360 mil trabalhadores estrangeiros da indústria da construção de Cingapura são do subcontinente indiano, aí incluídos Índia, Bangladesh e Sri Lanka. Embora muitos recebam o equivalente a 1,47 dólar norte-americano por hora, trabalhem de 12 a 14 horas por dia e raramente tirem folgas, ainda assim têm chance de ganhar mais em Cingapura do que em casa.

Alguns alojamentos onde os operários moram podem abrigar mais de uma dúzia de pessoas e não têm ventiladores em funcionamento, o que aumenta a exposição em potencial aos mosquitos, já que muitas vezes as janelas são mantidas abertas, disseram à Reuters grupos de direitos humanos e alguns trabalhadores estrangeiros.

Os regulamentos governamentais já exigem que os trabalhadores e os administradores dos alojamentos se esforcem para evitar locais de proliferação do mosquito como parte de uma batalha já antiga contra a dengue, outro vírus transmitido por mosquitos, mas grupos de direitos humanos dizem temer que as regras nem sempre sejam obedecidas.

A Reuters não conseguiu acesso aos operários no canteiro de obras que é o foco das infecções de Zika. O porta-voz da Woh Hup, a principal empreiteira do local – que recebeu ordem de interromper a obra – encaminhou as perguntas às autoridades, "já que o caso ainda está sob investigação".

(Por Marius Zaharia, Fathin Ungku, Nicole Nee, Imogen Braddick, Masayuki Kitano e Aradhana Aravindan em Cingapura, Douglas Busvine em Nova Déli e Ryan Woo em Pequim)

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