Colombianos devem aprovar acordo de paz com Farc em plebiscito, diz mídia

BOGOTÁ (Reuters) - Os colombianos devem votar a favor do acordo de paz entre o governo e os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), apesar de a nação continuar profundamente dividida em relação ao pacto, noticiou a mídia local nesta sexta-feira citando uma pesquisa.

Depois de quase quatro anos de conversas complicadas em Havana, na semana passada o governo e as Farc concordaram em encerrar uma guerra de cinco décadas que matou mais de 220 mil pessoas e deixou milhões de deslocados internos.

Uma sondagem da Cifras y Conceptos, a primeira desde que o acordo foi obtido, mostrou que 62 por cento dos colombianos que decidirem participar do plebiscito irão votar a favor do entendimento, disse a rádio local Caracol nesta sexta-feira.

A pesquisa afirma que 28 por cento votarão contra e 10 por cento ainda não decidiram, noticiou a Caracol. A Reuters não teve acesso imediato ao levantamento.

Os colombianos irão decidir se aceitam o acordo ou não em um plebiscito no dia 2 de outubro.

Os eleitores terão que responder sim ou não a uma única pergunta: "Você apoia o acordo que põe fim ao conflito armado e constrói uma nação estável e durável?".

Cerca de 4,5 milhões de eleitores irão às urnas.

A pergunta vem sendo criticada por legisladores da oposição por supostamente induzir ao sim.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que apostou seu legado na paz, lançou uma campanha para convencer seus conterrâneos a apoiarem o pacto. Mas ele enfrenta uma oposição ferrenha de setores poderosos do país – incluindo o popular direitista e linha-dura Álvaro Uribe – que acreditam que a única solução é acabar com as Farc militarmente.

Mesmo assim, muitas das pessoas insatisfeitas com os termos do acordo o veem como a única maneira de encerrar o conflito.

Conforme o acordo de 297 páginas, os líderes das Farc acusados de crimes cumprirão penas alternativas, como retirar minas terrestres, para poderem ter participação política no país.

O grupo rebelde de cerca de 7 mil membros também irá ser beneficiado com uma representação congressional sem direito a voto até 2018 e, daí até 2026, receberá 10 assentos com direito a voto, quer tenham apoio eleitoral ou não.

A pesquisa com 2.305 pessoas foi realizada entre 26 e 31 de agosto em 35 cidades grandes e pequenas da nação e teve uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

(Por Helen Murphy, Luis Jaime Acosta e Nelson Bocanegra)

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