Trabalho sem remuneração: um segredo da campanha presidencial de baixo custo de Trump

Por Michelle Conlin e Grant Smith

NOVA YORK (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito uma campanha surpreendentemente barata em parte por contar com trabalho sem remuneração de pelo menos 10 funcionários, consultores e conselheiros de alto escalão, de acordo com uma análise de registros federais das finanças de campanha.

Entre aqueles que não foram pagos até agora, mostram os registros, estão Paul Manafort, que deixou recentemente o cargo de gerente de campanha, o diretor estadual da Califórnia Tim Clark, o diretor de Comunicações Michael Caputo e um par de assessores veteranos que deixaram a campanha em junho para irem trabalhar imediatamente para um grupo político que apoia o candidato.

O magnata nova-iorquino do setor imobiliário e seus aliados vêm louvando os baixos custos de sua campanha, dizendo se tratar de uma prova de suas habilidades gerenciais. O gasto total de sua cruzada está em 89,5 milhões de dólares até o momento, cerca de um terço do que sua rival democrata Hillary Clinton já desembolsou.

Mas não recompensar funcionários de alto escalão em uma batalha presidencial rompe com as normas financeiras das campanhas. Em outras delas, é comum muitos dos cargos serem remunerados com salários anuais de seis dígitos.

"É inédito uma campanha presidencial depender tanto de voluntários para altas posições administrativas", disse Paul Ryan, advogado eleitoral do grupo de defesa de reforma financeira de campanhas Campaign Legal Center.

A campanha de Trump disse que o levantamento da Reuters foi "no mínimo malfeito", mas não quis entrar em detalhes.

Um dos 10 funcionários não remunerados, Michael Caputo, disse a uma estação de rádio da cidade de Buffalo em junho, depois de ter se demitido, que não se ofereceu como voluntário. Pelo contrário, ele afirmou simplesmente não ter sido pago. Caputo confirmou à Reuters na quinta-feira que a campanha do bilionário ainda não quitou suas faturas.

Além dele, dois outros conselheiros de alto nível, Ken McKay e Laurance Gay, deixaram a campanha de Trump em junho e foram trabalhar para o Rebuilding America Now, um Super PAC de apoio ao republicano. No mesmo mês, a entidade pagou 60 mil dólares a cada um deles, segundo os registros.

A lei de campanha federal estipula que as pessoas que trabalham nestas empreitadas, que podem possuir informações estratégicas de uma campanha ou atuar como agentes de campanha, precisam esperar 120 dias antes de trabalhar para um Super PAC.

Por meio de um porta-voz, McKay e Gay disseram ter trabalhado voluntariamente para Trump e não possuir informações estratégicas, e por isso a regra não se aplicaria a eles.

(Reportagem adicional de Emily Flitter)

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