G20 promete ajustes para problemas econômicos, mas oferece poucas medidas concretas

Por Kevin Yao e Michael Martina

HANGZHOU, China (Reuters) - Os líderes das principais economias do mundo concordaram em uma cúpula na China nesta segunda-feira com a coordenação de políticas macroeconômicas e com a oposição ao protecionismo, mas poucas propostas concretas surgiram para atender aos crescentes desafios da globalização e do livre-comércio.

A reunião de dois dias na cidade cênica chinesa de Hangzhou levou os membros do G20 a concordarem com a oposição ao protecionismo, com o presidente chinês, Xi Jinping, pedindo que as principais economias impulsionem o crescimento por meio da inovação, não apenas medidas fiscais e monetárias.

"O nosso objetivo é retomar motores de crescimento do comércio e do investimento internacional", disse Xi em uma declaração de encerramento. "Vamos apoiar mecanismos de comércio multilateral e nos opor ao protecionismo para reverter declínios no comércio global."

Discussões na reunião foram distraídas pelo disparo-teste da Coreia do Norte de três mísseis balísticos de médio alcance, em um lembrete dos riscos para a segurança global.

A Coreia do Norte testou mísseis em momentos sensíveis no passado para chamar a atenção para seu poderio militar. Mas o lançamento de segunda-feira arriscou ser embaraçoso para seu principal aliado, Pequim, que fez enormes esforços para garantir uma reunião de cúpula tranquila em Hangzhou.

Pequim disse esperar que as principais partes envolvidas evitassem tomar quaisquer ações que pudessem aumentar as tensões. Os Estados Unidos classificaram o lançamento de imprudente, enquanto o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse ao presidente norte-americano, Barack Obama, que era imperdoável.

Em outras frentes, os Estados Unidos tentaram, mas não conseguiram, finalizar um acordo com a Rússia para um cessar-fogo na Síria, nos bastidores da cúpula.

Obama e o presidente russo, Vladimir Putin, tiveram uma discussão mais longa do que o esperado sobre se, e como, eles poderiam chegar a um acordo, disse uma importante autoridade do governo dos EUA.

E o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, foram incapazes, em conversas nesta segunda-feira, de chegar a um acordo sobre um cessar-fogo pela segunda vez em duas semanas. Eles se reunirão novamente ainda nesta semana.

O G20 pediu a formação de um fórum global para tomar medidas para lidar com o excesso de capacidade de aço e incentivar ajustes, disse a Casa Branca em um comunicado, um dos temas polêmicos discutidos na cúpula.

A China responde por metade da produção anual mundial de 1,6 bilhão de toneladas de aço e tem lutado para diminuir sua estimativa de 300 milhões de toneladas de capacidade excedente, ao mesmo tempo em que o aumento dos preços tem dado às empresas um incentivo para aumentar a produção para exportação.

Participando de sua primeira cúpula do G20, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que os governos precisam "fazer mais para garantir que os trabalhadores realmente se beneficiem das oportunidades criadas pelo livre-comércio."

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional Internacional (FMI), Christine Lagarde, falando após a cúpula, também disse que um crescimento mais inclusivo era uma prioridade na economia global.

"Precisamos de um maior crescimento, mas ele precisa ser mais equilibrado, mais sustentável e inclusivo, de modo a beneficiar todas as pessoas", disse ela.

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