Polícia do Rio indicia 10 por cambismo na Olimpíada e quer ouvir presidente do COI

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro indiciou 10 pessoas suspeitas de envolvimento em esquema de venda ilegal de ingressos nos Jogos Olímpicos de 2016, entre elas o dirigente irlandês Patrick Hickey, e quer ouvir o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, que trocou mensagens e cedeu ingressos a Hickey, afirmaram delegados nesta quinta-feira.

O inquérito sobre o esquema de cambismo já foi encaminhado ao Ministério Público do Rio, que ofereceu denuncia à Justiça.

A polícia alega que Hickey, ex-presidente do Comitê Olímpico da Irlanda e membro do COI, era parte de um esquema envolvendo a revendedora irlandesa oficial de ingressos para os Jogos, a PRO10 Sports Management, que tem base em Dublin, e a empresa de hospitalidade esportiva internacional THG Sports. Eles acusam a PRO10 de passar os ingressos para a THG, que os vendia ilegalmente por preços mais altos.

“Temos um vasto material que confirma toda investigação da polícia, são emails entre Patrick e Evans (da THG), em que eles falam bem claramente da venda de ingressos, preocupação com a polícia e vinculação entre THG e PRO10, que foi criada para apenas transferir ingressos a THG”, disse a jornalistas o delegado Ricardo Barboza.

“Foi o comitê que indicou a THG para os Jogos de Inverno e de Londres 2012. Havia um vínculo estreito entre eles."

Os 10 indiciados pela polícia pelos crimes de cambismo, marketing de emboscada e organização criminosa são: Hickey e Martin Burke, do comitê irlandês; cinco representantes da THG (Kevin Mallon, Marcus Evans, Martin Stuart, Martin Van OS e David Patrick) e três da PRO10 (Maicon Glynn, Eamonn Collins e Ken Muray).

O MP incluiu na denúncia Barbara Carnieri, que fazia um trabalho de intérprete para a THG, e deixou de fora Burke, cujo indiciamento ainda estaria em processo de conclusão. O MP acrescentou ainda os crimes de estelionato, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Segundo as apurações da polícia, há suspeitas de que o Comitê Olímpico da Grécia também possa ter participado do esquema com a THG, que já vinha sendo investigada desde a Copa do Mundo de 2014. Diferentemente do comitê irlandês, que cedeu seus próprios ingressos para o esquema ilegal, no caso dos gregos há suspeitas em relação à venda de ingressos que eram destinados ao público grego interessado na compra de bilhetes.

”Temos fatos que denotam suspeita em torno do comitê grego, dada a troca de mensagens”, disse o delegado Aloysio Falcão.

A polícia do Rio informou ainda que gostaria de ouvir o presidente do COI na condição de testemunha das investigações. A polícia encontrou mais de 60 mensagens e emails trocados nos últimos meses entre Bach e Hickey, que foi preso durante a Olimpíada e liberado na semana passada.

Numa das conversas, Hickey demandava de 500 a 600 ingressos ao presidente do COI para eventos da Rio 2016 como cerimônias de abertura e encerramento, final do futebol masculino, final do basquete masculino e final dos 100 metros rasos. O pedido foi feito em julho de 2015, e o irlandês conseguiu a liberação de 296 bilhetes.

Mas Bach não está no Brasil. Ele era esperado para a cerimônia de abertura da Paralimpíada do Rio, realizada na quarta-feira, mas não compareceu, alegando compromissos particulares.

“Queremos entender como era essa relação entre eles. Como era a dinâmica de liberação de ingressos e como as coisas aconteciam”, disse o delegado Falcão.

NOVO INQUÉRITO

A polícia do Rio decidiu abrir um novo inquérito para investigar possíveis crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal cometidos pelas empresas THG e Pro10, uma nova empresa identificada, a Cartan Sports, e companhias e pessoas próximas a elas.

De acordo com a polícia, a THG tem uma sede e um CNPJ no Brasil que poderia ser usado para os crimes de lavagem e sonegação fiscal. “Eles queriam burlar o fisco e pediam para o cliente entrar na conta da THG no exterior para não pagar a tributação no Brasil”, explicou Falcão.

“O cambismo foi um caso concluído e agora vamos atrás da lavagem de capitais e sonegação fiscal. Estamos em busca do caminho do dinheiro para bloquear os bens dos criminosos e tentar recuperar algo”, acrescentou.

Os delegados confirmaram reportagem da Reuters, divulgada na quarta-feira, sobre a preparação do grupo para atuar nos Jogos de Inverno da Coreia do Sul, em 2018, e na Olimpíada de Tóquio, em 2020.

“O alerta foi feito por nós e espero que os comitês de Coreia e do Japão não aceitem empresas como THG, Pro10, Cartan e outras", finalizou Falcão.

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