China lembra aniversário da morte de Mao Tsé-Tung, mas presidente Xi não faz menção

PEQUIM (Reuters) - A mídia estatal chinesa lembrou nesta sexta-feita o 40ª aniversário da morte do fundador da China moderna, Mao Tsé-Tung, com artigos elogiosos, mas o presidente Xi Jinping visitou uma escola e não mencionou a ocasião.

Mao, que morreu em 1976, continua sendo uma figura controversa. Sua imagem adorna notas bancárias e seu corpo embalsamado atrai centenas, se não milhares, de visitantes a Pequim todos os dias.

Embora o governista Partido Comunista tenha admitido que Mao cometeu erros, ainda não houve um reconhecimento oficial do caos da Revolução Cultural, quando Mao declarou uma guerra de classes, ou das milhões de mortes por inanição durante o Grande Salto Adiante de 1958-1961, uma tentativa fracassada de industrialização acelerada.

O Hunan Daily, principal jornal do partido na província natal de Mao no sul da China, estampou um pequeno artigo em sua primeira página proclamando "Presidente Mao, o povo estima sua memória", mas relegou um artigo maior a seu respeito para a página cinco.

O Diário do Povo, jornal oficial do partido, publicou várias fotos do líder em seu microblog Weibo, além de uma seleção de algumas de suas citações mais conhecidas, e pediu às pessoas para escolherem sua favorita – mas desativou a seção de comentários.

Xi, que exerce o papel duplo de chefe do partido e dos militares, não fez menção a Mao em sua principal atividade do dia, segundo relato da mídia estatal, indo a uma escola de Pequim na véspera do Dia do Professor local, que cai no sábado.

No evento ele "enfatizou a importância de uma educação básica melhor", de acordo com a agência de notícias Xinhua, e assistiu alunos jogando futebol, seu esporte favorito.

O próprio Xi sofreu durante a Revolução Cultural quando seu pai foi preso. Xi foi enviado ao interior para viver com os camponeses, como milhões de outros jovens chineses da mesma geração.

Mao se tornou um símbolo poderoso para esquerdistas dentro e fora do partido que sentem que as três décadas de reformas voltadas ao mercado foram longe demais, criando desigualdades sociais como pobreza e corrupção. Ao louvar Mao, eles às vezes procuram pressionar a liderança atual e suas políticas simpáticas ao mercado.

Um dia antes da data, um grupo pequeno de admiradores de Mao compareceu à abertura de uma exibição de caligrafia e arte sobre o líder falecido em Pequim.

"O povo chinês, as amplas massas do povo chinês, jamais se esqueceram de Mao Tsé-Tung em seus corações. Elas o lembrarão para sempre. E ainda divulgam seus princípios", disse o artista Yao Weidong à Reuters. "Então, se existem autoridades corruptas, usamos o Pensamento de Mao Tsé-Tung para derrotá-las".

(Por Ben Blanchard)

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