Trump critica política dos EUA para o Iraque na televisão russa

Por Doina Chiacu

WASHINGTON (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, que elogiou em várias ocasiões o presidente da Rússia, Vladimir Putin, criticou a política dos Estados Unidos para o Iraque durante uma entrevista transmitida por uma rede de televisão financiada por Moscou.

O empresário de Nova York fez os comentários em uma conversa com Larry King, ex-apresentador da rede CNN cujo podcast foi ao ar na noite de quinta-feira no canal RT, que transmite notícias 24 horas por dia em russo.

Trump criticou a política de seu país no Iraque desde os dias do ex-presidente dos EUA George W. Bush, que é republicano e ordenou a invasão liderada pelos norte-americanos em 2003 na esteira dos ataques de 11 de setembro de 2001 realizados pela Al Qaeda nos EUA.

Depois, Trump atacou o presidente dos EUA, Barack Obama, e a candidata presidencial democrata Hillary Clinton, primeira secretária de Estado de Obama, pela responsabilidade de ambos na retirada das tropas norte-americanas do Iraque.

"É uma guerra na qual não deveríamos ter estado, em primeiro lugar", disse Trump na entrevista. "E é uma guerra que, quando saímos, saímos do jeito errado. Esse é o Obama."

Embora o magnata tenha feito críticas semelhantes no passado, fazê-lo na televisão russa pode causar mais repúdio daqueles que vêm questionando sua aproximação de Putin, entre eles vários republicanos.

A entrevista de Trump veio a público enquanto ele e Hillary continuam se digladiando a respeito de política externa na reta final para a eleição de 8 de novembro. Em um fórum de segurança nacional televisionado na noite de quarta-feira, os dois procuraram se retratar como a pessoa mais apta para ser comandante-em-chefe, e Trump chegou a dizer que Putin é um líder melhor do que Obama.

Na quinta-feira, a ex-primeira-dama disse que o comentário do rival "não é só antipatriótico e insultante ao povo de nosso país, assim como ao nosso comandante-em-chefe, é assustador".

Trump e seu vice de chapa, o governador de Indiana, Mike Pence, defenderam o comentário. Pence afirmou ser "incontestável" que Putin é um líder mais forte do que o presidente norte-americano.

O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Paul Ryan, que ocupa o cargo mais alto entre os republicanos eleitos e que discorda de Trump com frequência, mais uma vez mostrou uma visão extremamente contrastante com a do candidato do partido.

"Putin é um agressor que não compartilha os nossos interesses. Vladimir Putin está violando a soberania de países vizinhos", afirmou Ryan em sua coletiva de imprensa semanal.

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