Lotex, da Caixa, estará em plano de privatizações a ser anunciado por governo na 3a-feira, diz fonte

Por Leonardo Goy e Rodrigo Viga Gaier

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Lotex, braço da Caixa Econômica Federal[CEF.UL]para loterias instantâneas, estará na lista dos negócios para os quais o governo federal vai buscar capital privado no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), disse à Reuters uma fonte do governo a par do assunto.

O conselho do PPI fará sua primeira reunião na terça-feira. Após a reunião, serão anunciadas as primeiras concessões e privatizações a serem feitas pelo governo do presidente Michel Temer.

O PPI também anunciará medidas regulatórias para aumentar a competição nos leilões de concessão e para viabilizar financiamentos de mercado para os projetos.

"Não haverá mais subsídios. Agora é juros de mercado", disse uma segunda fonte, acrescentando que o pacote terá "estudos (de viabilidade) mais robustos, para facilitar o financiamento".

Na semana passada, uma fonte do governo já havia dito à Reuters que o governo estudava buscar um parceiro privado para ter 51 por cento da Lotex. [nL1N1BI12A]

Além da Lotex, o anúncio deve incluir outros negócios que já estão em andamento no governo, como a privatização da distribuidora goiana de energia elétrica Celg-D e a concessão dos aeroportos de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS). O pacote vai incluir ainda concessões de terminais portuários, rodovias e trechos da ferrovia Norte-Sul, disse a segunda fonte do governo.

As empresas estaduais de saneamento do Rio de Janeiro, Pará e Rondônia também estarão na lista, disse uma terceira fonte, próxima da organização do processo.

A maior parte do dinheiro a ser arrecadado com essas primeiras concessões e privatizações, porém, virá da oferta de áreas para exploração de óleo e gás, disse a primeira fonte, sem dar mais detalhes.

EMPRESAS DE SANEAMENTO

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) tem um potencial de arrecadação de cerca de 3 bilhões de reais, disse a terceira fonte.

“O Rio de Janeiro passa por um momento difícil financeiramente e está buscando alternativas para enfrentar essa situação”, disse a fonte, acrescentando que a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) e a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) devem ter valores menores, dada a necessidade de investimentos na rede e do poder aquisitivo da região onde atuam.

“Há outras empresas de saneamento, água e esgoto em processo de venda, mas falta o pedido formal. Essas como a do Espírito Santo, Bahia e outros Estados devem ficar para uma nova etapa do processo de concessão e privatização”, acrescentou.

“Nitidamente o momento fiscal é difícil para os Estados e faltam recursos para os investimentos necessários em saneamento”, declarou a fonte.

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