Maratonista etíope que fez protesto no Rio quer ficar nos EUA

Por Kouichi Shirayanagi

WASHINGTON (Reuters) - O maratonista etíope que fez um gesto de protesto por causa da violência do governo contra integrantes da sua tribo no mês passado na Olimpíada do Rio disse a jornalistas em Washington nesta terça-feira que ele deseja permanecer nos Estados Unidos.

Feyisa Lilesa cruzou os punhos sobre a cabeça quando terminou em segundo lugar a maratona olímpica, um gesto que ele descreveu como um sinal de apoio a integrantes da sua tribo Oromo que têm protestado contra planos do governo para realocar terrenos de produção agrária. Os manifestantes têm enfrentado ações policiais violentas, levando o país aos seus piores distúrbios em mais de uma década.

"Neste momento, o governo etíope está matando e prendendo o seu próprio povo”, disse Lilesa à imprensa. “Se a situação continuar como está, eu não tenho dúvidas de que a Etiópia vai estar diante do abismo.”

Autoridades etíopes não estavam imediatamente disponíveis para comentar as declarações.

O país é há muito um dos mais pobres do mundo, mas tem se industrializado rapidamente na última década. O plano do governo para realocar terrenos perto da capital se mostrou um tema difícil num país onde muitos são produtores de subsistência.

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