Trégua na Síria se mantém no 1º dia; ajuda humanitária é encaminhada

Por Lisa Barrington e Tom Miles

BEIRUTE/GENEBRA (Reuters) - Um novo cessar-fogo na Síria rendeu um dia inteiro sem mortes em combate na guerra entre o presidente sírio, Bashar al-Assad, e seus oponentes, relatou um grupo de monitoramento, e os esforços para levar ajuda humanitária a áreas sitiadas foram iniciados com cautela.

Vinte e quatro horas depois de o cessar-fogo entrar em vigor, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Staffan de Mistura, disse nesta terça-feira que o país teve uma queda significativa na violência e que caminhões de ajuda da ONU devem conseguir se mover muito em breve.

"Hoje a calma parece ter prevalecido em Hama, Latakia, cidade de Aleppo e Aleppo rural e Idlib, com apenas algumas alegações de incidentes esporádicos e geograficamente isolados", afirmou De Mistura a repórteres em Genebra.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou que não recebeu um único relato de combatentes ou civis mortos por confrontos em nenhuma das áreas contempladas pela trégua.

"Fontes no território, que realmente importam, inclusive dentro da cidade de Aleppo, disseram que a situação melhorou dramaticamente sem os ataques aéreos", afirmou o enviado da ONU.

O cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos e a Rússia, tem o apoio de países que apoiam Assad e seus adversários, e marca a segunda tentativa deste ano de deter a guerra de mais de cinco anos.

A medida também representa a maior aposta do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, de que consegue trabalhar com a Rússia para pôr fim a um conflito que o presidente russo, Vladimir Putin, transformou um ano atrás ao enviar aviões de guerra para lutarem ao lado de Assad.

Fora do âmbito da trégua, a Turquia disse que ataques aéreos da coalizão liderada pelos norte-americanos mataram três combatentes do Estado Islâmico.

Moscou e Washington concordaram em compartilhar informações sobre alvos para realizar ataques contra os militantes do Estado Islâmico e do ex-braço sírio da Al Qaeda, a primeira vez em que os ex-inimigos da Guerra Fria lutam juntos desde a Segunda Guerra Mundial.

O acordo foi aceito por Assad e, com muito maior relutância, pela maioria dos grupos que se opõem a ele.

Os rebeldes se queixam de que o pacto favorece o líder sírio, mas têm pouca influência no momento, já que as forças governamentais apoiadas pelos russos se encontram em sua posição mais forte no campo de batalha desde os meses iniciais da guerra e os civis de muitas áreas sob controle rebelde estão desesperados por ajuda.

O primeiro objetivo da comunidade internacional é levar socorro a civis em áreas como a metade rebelde de Aleppo, maior cidade da Síria antes do conflito, que está dividida há anos em regiões do governo e da oposição e onde a área dos opositores está totalmente bloqueada na atualidade.

COMBOIOS DE AJUDA

O enviado da ONU para a Síria disse que houve alegações de incidentes esporádicos e geograficamente isolados.

A mídia estatal síria relatou que grupos armados violaram a trégua em vários locais de Aleppo e no oeste do interior de Homs em pelo menos sete ocasiões nesta terça-feira.

O Observatório disse que forças pró-governo bombardearam as proximidades de dois vilarejos no sul do interior de Aleppo e um bairro nos arredores de Damasco.

Dois comboios de ajuda, cada um com cerca de 20 caminhões, cruzaram para o norte da Síria partindo da cidade fronteiriça turca de Cilvegozu, cerca de 40 quilômetros a oeste de Aleppo, relatou uma testemunha da Reuters. Uma autoridade turca disse que eles levavam principalmente alimento e farinha.

"Estamos esperando essa interrupção das hostilidades para realmente cumprir as garantias e a paz antes de os caminhões poderem começar a partir da Turquia. No momento em que falo, não está sendo esse o caso", afirmou Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, em Genebra.

Israel informou que sua Força Aérea atacou uma posição do Exército sírio depois que um morteiro desgovernado atingiu as Colinas de Golã, uma reação já rotineira dos israelenses aos efeitos colaterais ocasionais da guerra em seu solo, mas negou a afirmação síria de que um avião de guerra e um drone (aeronave não-tripulada) foram abatidos.

  (Reportagem adicional de Tom Miles em Genebra, Yesim Dikmen em Istambul, Tom Perry em Beirute, Jeffrey Heller em Jerusalém, Maria Kiselyova e Vladimir Soldatkin em Moscou, Orhan Coskun em Ancara)

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