BNDES receberá semana que vem mais Estados interessados em vender companhias de saneamento

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O BNDES vai receber na semana que vem representantes de Estados interessados em privatizar suas empresas de saneamento, afirmou nesta quarta-feira a presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques.

Segundo ela, todos os Estados já manifestaram interesse no programa de venda de empresas estaduais de saneamento e na próxima semana haverá uma rodada de três reuniões com representantes de governos estaduais para que o BNDES possa apresentar informações sobre como poderá apoiá-los.

Ela afirmou que o país tem uma necessidade de investimentos em saneamento de 300 bilhões de reais, mas como o Brasil e os Estados estão em uma profunda crise fiscal, os recursos terão que vir do setor privado.

programa de privatizações anunciado na terça-feira pelo governo federal já inclui as empresas de saneamento do Rio de Janeiro (Cedae), Pará (Cosanpa) e Rondônia (Caerd).

"Na semana que vem vamos nos reunir com demais Estados e todos têm demonstrado muito interesse em ter também as suas companhias de abastecimento incluídas no programa e faremos isso junto com Ministério das Cidades e CEF (Caixa Econômica Federal)", disse a presidente do BNDES a jornalistas na abertura do Fórum Nacional, promovido pelo Instituto de Altos Estudos (Inae).

Ela confirmou informação anterior da Reuters de que os Estados da Bahia, Espírito Santo, Acre e Rio Grande do Norte já adiantaram interesse na venda de ativos na área de saneamento.

"Sem saneamento e sem atacar o problema dos resíduos sólidos não vamos ter sucesso", frisou ela ao lembrar do debate pré-Olimpíada do Rio de Janeiro sobre a despoluição da Baía de Guanabara, uma promessa não cumprida para o evento.

A presidente do BNDES citou que num ranking de 2011 sobre saneamento o Brasil aparecia na 112a posição numa lista de 200 países.

"Estamos atrás de países do norte da África, Oriente Médio e alguns da América do Sul (...) Trinta e cinco milhões de brasileiros não têm água tratada, mais de 100 milhões de brasileiros não têm esgoto coletado e apenas 10 das 100 maiores cidades do Brasil tratam mais de 60 por cento do esgoto", disse Maria Silvia.

Programas de eficiência energética e de resíduos sólidos também podem ter apoio do BNDES, disse ela.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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