ENTREVISTA-Monsanto vê alta de até 57% na área de soja Intacta na América do Sul em 16/17

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A área plantada com soja Intacta RR2 Pro, da Monsanto, pode subir até 57 por cento na safra 2016/17 nos quatro países onde a empresa atua na América do Sul, disse uma executiva da companhia, às vésperas do início do plantio da nova temporada no Brasil.

O plantio da Intacta, tecnologia transgênica que combina tolerância a herbicida com a proteção contra lagartas, atingiu 14 milhões de hectares no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai em 2015/16. A adoção pode subir para 18 a 22 milhões de hectares em 2016/17, estima a companhia.

"Temos uma expectativa boa para essa safra... Tem ainda muita coisa no mercado... e essa estimativa ainda vai ser refinada no fim do ano", disse à Reuters a líder do negócio de soja para a América do Sul, Maria Luiza Nachreiner.

Se confirmadas as vendas projetadas pela Monsanto, a Intacta estará presente em 31 a 38 por cento das lavouras dos quatro países na safra 2016/17, ante presença em 24 por cento das lavouras na temporada passada.

A Monsanto não divulga dados específicos sobre área plantada no Brasil.

A forte presença das variedades criadas pela Monsanto no Brasil está entre os inúmeros ativos aos quais a Bayer terá acesso caso seja concretizada a compra da gigante norte-americana pela rival alemã, anunciada nesta quarta-feira no exterior.

Durante anos, as sementes geneticamente modificadas criadas pela Monsanto dominaram o mercado de soja do Brasil. Lançada no início da década passada, a soja Roundup Ready (RR1), apenas resistente ao herbicida glifosato, chegou a ser plantada em 84 por cento das lavouras brasileiras em 2013/14, segundo levantamento da consultoria Céleres.

Foi justamente em 2013/14 que a Intacta foi lançada comercialmente no país, sendo utilizada inicialmente por 13 mil agricultores. Esse número subiu para 55 mil na temporada seguinte e atingiu entre 100 mil e 110 mil na safra passada, disse Maria Luiza.

Ao contrário da RR1, a Intacta não deverá abranger a quase totalidade da área plantada no Brasil no futuro, projetou a executiva.

"A Intacta vai ser um cenário diferente. Nós orientamos a adoção do refúgio de 20 por cento da área (com uma variedade não resistente a lagartas)", disse ela, ressaltando uma característica diferente do manejo de lavouras com chamada tecnologia BT, o que já coloca um limite hipotético de adoção de Intacta em 80 por cento da área semeada no país.

"Adiciona-se a isso que em dois anos vai haver novas empresas com biotecnologia concorrente no mercado. Vai ter um cenário mais competitivo, que não tinha em RR1", afirmou Maria Luiza, lembrando que Basf e Bayer lançaram tecnologias próprias recentemente.

A executiva não comentou o cenário de mercado na hipótese de ser concretizada a compra da Monsanto pela Bayer. O negócio, de 66 bilhões de dólares, ainda precisará passar por aprovação de órgãos antitruste em diversos países, o que poderá gerar entraves à sua finalização, na opinião de analistas.

ROYALTIES

A soja Intacta agitou o setor agrícola em 2014, às vésperas da safra 2014/15, a primeira em que um volume significativo de grãos com a nova tecnologia chegaria ao mercado.

Por meses, grandes empresas compradoras, incluindo tradings multinacionais, discutiram com a Monsanto contratos para que os donos dos armazéns fossem responsáveis por fiscalizar se o produtor rural entregando os grãos havia pago corretamente os royalties pela tecnologia. Às vésperas do início da colheita, as companhias acabaram fechando acordos bilaterais, acertando um pagamento pelo serviço de fiscalização dos royalties.

A safra 2015/16 já transcorreu sem nenhum percalço e a mesma tranquilidade é esperada pela Monsanto em 2016/17.

"Hoje acho que estamos num outro momento. O modelo de remuneração, ele está muito maduro", disse a executiva.

Ela avaliou ainda que "o agricultor brasileiro entende que para ter tecnologia e uma série de novos produtos, a empresa que está investindo precisa ser remunerada".

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