Moradores de vilarejo da China descrevem agressões da polícia em repressão a protesto

Por James Pomfret

WUKAN, China (Reuters) - Os moradores de um vilarejo da China que já foi reconhecido como um símbolo da democracia na nação asiática ficaram chocados nesta quarta-feira com o que descreveram como uma "repressão selvagem" dos policiais durante confrontos com manifestantes que os locais disseram ter levado à detenção de cerca de 70 pessoas.

Ativistas de direitos humanos de Hong Kong temem que o episódio de violência de terça-feira simbolize uma ofensiva derradeira para silenciar o vilarejo de Wukan, cujos residentes despertaram atenção internacional após um levante contra a tomada de terras em 2011 que levou as autoridades a permitirem eleições diretas no vilarejo.

"A maioria das pessoas ficou muito assustada", disse uma moradora chamada Chen. "Desta vez foi uma repressão selvagem. Eles foram atrás de cada uma, perseguindo até dentro de suas casas, batendo nas pessoas".

Enquanto ela falava, olhando nervosamente por trás das cortinas de sua casa, dezenas de policiais do batalhão de choque e de segurança apertavam o cordão de isolamento ao redor de Wukan.

A violência irrompeu na aldeia de 10 mil habitantes no início da terça-feira, quando a polícia realizou operações antes do amanhecer nas casas procurando os líderes dos protestos que vêm ocorrendo desde junho, na esteira da prisão de um líder popular.

Lin Zuluan, chefe do vilarejo e um dos últimos líderes das manifestações de 2011 que continuava no cargo, foi preso no mês passado por três anos acusado de corrupção e outros delitos.

Os moradores alvejaram a polícia com tijolos enquanto os agentes avançavam com escudos, cacetetes e capacetes, disparando balas de borracha e usando gás lacrimogêneo. Imagens de celular vistas pela Reuters mostraram que alguns moradores sofreram ferimentos nas pernas.

Muitos disseram que a violência foi pior do que a de 2011, quando o vilarejo ficou interditado durante vários meses.

Ligações insistentes para o governo provincial de Guangdong não tiveram resposta.

(Reportagem adicional da Redação de Hong Kong e de Ben Blanchard em Pequim)

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