Putin firma controle sobre Rússia graças a grande vitória de partido governista

Por Andrew Osborn e Dmitry Solovyov

MOSCOU (Reuters) - Vladimir Putin consolidou sua supremacia sobre o sistema político da Rússia depois que o partido governista Rússia Unida obteve três quartos dos assentos do Parlamento em uma eleição realizada no final de semana, abrindo caminho para que o presidente russo concorra a um quarto mandato.

O Rússia Unida, criado por Putin quase 16 anos atrás, quando se elegeu presidente pela primeira vez, ficou com 343 de um total de 450 cadeiras da Duma, disse a Comissão Eleitoral Central, com 93 por cento das urnas apuradas.

Trata-se de um aumento em relação às 238 da última votação parlamentar de 2011, e basta para o Rússia Unida alterar a constituição unilateralmente, embora Putin possa concorrer novamente conforme a constituição atual, já que foi primeiro-ministro entre seus segundo e terceiro mandatos.

A vitória deve representar a maioria mais expressiva do partido até hoje. O porta-voz de Putin a classificou como "um voto de confiança impressionante" no líder russo e minimizou os críticos que ressaltaram uma queda acentuada no comparecimento.

Monitores eleitorais europeus disseram que a eleição foi eclipsada por numerosas irregularidades de procedimentos e restrições a direitos básicos. As autoridades da Rússia afirmaram não haver indícios de fraude generalizada.

Resultados quase completos mostraram que o comparecimento foi de somente cerca de 48 por cento – havia sido de 60 por cento em 2011 –, o que leva a crer em uma apatia entre alguns russos, especialmente em Moscou e São Petersburgo, e uma diminuição do entusiasmo da elite dirigente.

De acordo com a contagem oficial quase definitiva, os comunistas estavam a caminho de ficar em segundo lugar com 42 assentos, o partido populista LDPR em terceiro com 41 e o centro-esquerdista Rússia Justa na quarta colocação com 21 cadeiras. Todos os três tendem a votar alinhados ao Rússia Unida em temas polêmicos e evitar críticas diretas.

Os partidos de oposição liberais não conquistaram nenhuma vaga. Dmitry Gudkov, o único político de oposição liberal que já teve uma cadeira no Parlamento, disse que foi derrotado por um candidato do Rússia Unida.

"A questão agora é... como viver com um Parlamento de um partido", disse Gudkov.

Entre as irregularidades eleitorais testemunhadas pela Reuters estavam várias pessoas que votaram duas vezes em uma seção na região de Mordóvia, no centro da Rússia. Resultados oficiais de outra área mostraram o dobro do comparecimento registrado no ato.

     Após a última eleição de cinco anos atrás, a revolta com as fraudes eleitorais desencadeou grandes manifestações em Moscou, e o Kremlin irá ficar atento para evitar uma repetição desse acontecimento.

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