Síria declara fim de cessar-fogo; há relatos de ataques aéreos a Aleppo

Por Tom Perry e John Davison

BEIRUTE (Reuters) - Os militares da Síria declararam um cessar-fogo de uma semana de duração encerrado nesta segunda-feira e prometeram continuar a lutar, embora autoridades dos Estados Unidos e da Rússia tenham se reunido a portas fechadas em Genebra para tentar prorrogá-lo.

Houve relatos de ataques aéreos em Aleppo. Aviões de guerra sírios ou russos bombardearam áreas controladas pelos rebeldes na cidade de Aleppo e vilas próximas, disse o grupo de monitoramento Observatório Sírio para os Direitos Humanos, relatando um número de mortos e feridos.

Os ataques ocorreram no que é provável a última tentativa do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, de encontrar uma solução negociada para a guerra civil de mais de cinco anos parece próxima do colapso.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou ser cedo demais para dizer que o cessar-fogo acabou, e a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que só Washington e Moscou podem declarar seu fim, já que são aqueles que o mediaram originalmente.

Mas tanto o Exército sírio quanto os rebeldes falaram abertamente sobre voltar ao campo de batalha.

O Exército disse que a trégua de sete dias terminou, e acusou "grupos terroristas", termo que o governo usa para todos os insurgentes, de explorarem a calma para se rearmarem e de terem violado o cessar-fogo 300 vezes, prometendo "continuar a cumprir seus deveres nacionais combatendo o terrorismo para trazer de volta a segurança e a estabilidade".

Indagado sobre o comunicado dos militares, Kerry disse aos repórteres em Nova York que os sete dias de calmaria e a entrega de ajuda humanitária contemplados pela trégua ainda não ocorreram.

"Seria bom se eles não falassem primeiro com a imprensa, mas se falassem com as pessoas que estão realmente negociando isso", afirmou Kerry. "Mal começamos a ver uma movimentação real de suprimentos humanitários hoje, e vamos ver em que pé estamos. Ficamos contentes de ter uma conversa com eles".

A ajuda foi levada à cidade sitiada de Talbiseh, na província de Homs, nesta segunda-feira pela primeira vez desde julho, informou a Cruz Vermelha. O comboio entregou alimentos, água e produtos de higiene para até 84 mil pessoas, segundo a entidade.

Mas a maior parte da ajuda humanitária prevista pela trégua ainda tem que ser encaminhada, especialmente um comboio destinado a partes do leste de Aleppo, cidade sob o controle de rebeldes onde se acredita que cerca de 275 mil civis estão retidos sem acesso a comida ou suprimentos médicos.        

"Estou aflito e decepcionado que um comboio da ONU ainda tenha que cruzar da Turquia para a Síria e chegar em segurança ao leste de Aleppo", disse o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O'Brien, em um comunicado.

A ONU disse ter recebido aprovação do governo para chegar a quase todas as áreas sitiadas e de difícil acesso para as quais quer levar socorro, mas que o acesso a muitas delas ainda está sendo dificultado pelos combates, pela insegurança e por atrasos administrativos.

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