ONU volta atrás em afirmação sobre ataque aéreo a comboio de ajuda humanitária na Síria

Por Tom Miles e Angus McDowall

GENEBRA/BEIRUTE (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) voltou atrás nesta terça-feira na descrição de uma agressão a um comboio de ajuda humanitária destinado à Síria como ataques aéreos, dizendo não ter provas conclusivas sobre o que aconteceu.

Parece provável que o incidente, no qual 18 caminhões de um comboio de 31 veículos foram destruídos na segunda-feira, irá representar um golpe de misericórdia no cessar-fogo de uma semana, e rendeu críticas vigorosas em todo o mundo.

A ONU, a Cruz Vermelha e os Estados Unidos o descreveram como um ataque aéreo, culpando implicitamente aeronaves russas ou sírias que voam na área por violarem a trégua com uma agressão contra um alvo humanitário.

Mas a Rússia, que nega que suas aeronaves ou as de seus aliados do governo sírio tenham se envolvido, disse nesta terça-feira que acredita que o comboio não foi atingido do ar, mas que pegou fogo por causa de algum incidente em terra.

O Crescente Vermelho da Síria disse que o chefe de um de seus escritórios locais e "cerca de 20 civis" foram mortos, embora outros saldos de mortos difiram dessa cifra.

Após a explicação dos russos, a ONU divulgou uma versão revisada de um comunicado anterior, retirando o palavreado sobre "ataques aéreos" e o substituindo por referências a "ataques" não especificados.

O porta-voz humanitário da ONU, Jens Laerke, disse que as referências a ataques aéreos da comunicação original, atribuídas às principais autoridades humanitárias da ONU na região e na Síria, foram provavelmente resultado de um erro em um esboço.

"Não estamos em posição de determinar se estes foram de fato ataques aéreos. Estamos em posição de dizer que o comboio foi atacado", afirmou.

Washington disse ainda crer que os ataques foram resultantes de um bombardeio aéreo, que só poderia ter sido realizado por militares russos ou sírios.

"Um comboio ser atingido em um ataque aéreo é verdadeiramente ultrajante. Mais uma vez, não sabemos exatamente o que aconteceu, estamos trabalhando nisso, mas achamos que foi um ataque aéreo", disse Brett McGurk, enviado presidencial dos EUA à coalizão que combate o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

A ação de segunda-feira levou a ONU a suspender todas as remessas aéreas de ajuda para a Síria e deixou os esforços mais recentes de pacificação à beira do colapso.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que negociou o cessar-fogo pessoalmente durante meses de diplomacia perante o ceticismo de outras autoridades de primeiro escalão dos EUA, se reuniu com 20 outros chanceleres, entre eles o russo Sergei Lavrov.

"O cessar-fogo não está morto", afirmou Kerry.

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