MPF processa dirigentes da confederação de esportes aquáticos por fraude milionária

(Reuters) - O Ministério Público Federal apresentou à Justiça uma ação contra dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), incluindo o presidente Coaracy Nunes Filho, por suspeita de fraude em licitação para a compra de itens esportivos, com prejuízo aos cofres públicos superior a 1,5 milhão de reais, informou o MPF em São Paulo nesta quarta-feira.

Coaracy, que dirige a CBDA desde 1988, e o diretor financeiro da entidade, Sérgio Alvarenga, foram acusados de improbidade administrativa por envolvimento em um esquema que fraudou recursos federais destinados à compra de equipamentos para a preparação de atletas que disputariam as provas de maratona aquática, nado sincronizado e polo aquático na Olimpíada do Rio de Janeiro, segundo a acusação.

O MPF pediu à Justiça o bloqueio de bens dos envolvidos, em valores que chegam a 4,53 milhões de reais por pessoa nos casos de Coaracy e Alvarenga, para o ressarcimento dos danos aos cofres públicos e o pagamento de multas caso sejam condenados. Além disso, os procuradores pediram o afastamento dos integrantes da CBDA dos cargos durante a tramitação do processo.

De acordo com o MPF, do total de 1,56 milhão de reais fornecidos em 2014 pelo Ministério do Esporte à CBDA por meio de um convênio para a compra de equipamentos, 79 por cento foram pagos a uma empresa de fachada com sede em São Paulo que se sagrou vencedora de uma licitação fraudulenta. Em valores corrigidos, o montante fraudado supera 1,5 milhão de reais, segundo os procuradores.

Os coordenadores técnicos da CBDA para natação, Ricardo de Moura, e polo aquático, Ricardo Gomes Cabral, também teriam participado da coordenação das fraudes, de acordo com o MPF, e também responderão ao processo, assim como cinco empresas envolvidas na licitação e seus sócios.

Em nota, a CBDA informou que seguiu "rigorosamente" a lei na licitação e que possui "cópias dos comprovantes de compra e entrega de todos os equipamentos utilizados para preparação dos atletas, não havendo o que se falar de desvio de dinheiro público".

"As acusações e pedido de afastamento de dirigentes de uma associação de natureza privada democraticamente eleitos denotam o cunho eleitoreiro do inquérito", disse a entidade, afirmando estranhar o fato de a CBDA estar sediada no Rio e a investigação ser feita pelo Ministério Público de São Paulo.

Responsável por cinco modalidades olímpicas --natação, polo aquáticos, saltos ornamentais, nado sincronizado e maratona aquática--, a CBDA conquistou apenas uma medalha nos Jogos do Rio, um bronze com a nadadora Poliana Okimoto na maratona aquática. Carro-chefe da confederação, a natação ficou sem medalhas em uma Olimpíada pela primeira vez desde os Jogos de Atenas 2004.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, com reportagem adicional de Tatiana Ramil)

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