Governo da Colômbia e Farc debatem crise após rejeição a acordo de paz

Por Marc Frank e Helen Murphy

HAVANA/BOGOTÁ (Reuters) - O governo da Colômbia e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltaram à mesa de negociações em Havana nesta terça-feira depois que o acordo de paz que negociaram penosamente durante quatro anos foi rejeitado em um referendo, um resultado que causou choque.

Em uma consulta que representou um desastre para o presidente do país, Juan Manuel Santos, no domingo, os colombianos descartaram por uma margem pequena um pacto que muitos consideraram leniente demais com os rebeldes.

O governo disse que os principais negociadores do presidente, Humberto de la Calle e Sergio Jaramillo, estavam de volta a um centro de convenções da capital cubana nesta terça-feira para se reunir com representantes das Farc para ver se um novo acordo, rígido o suficiente para satisfazer os críticos, pode ser acertado.

    Desde 2012 Havana é o cenário das conversas entre os dois lados, que chegaram a um entendimento para encerrar uma guerra de 52 anos que deixou cerca de 250.000 mortos.

    Resgatar o acordo de paz pode ser um processo longo e complexo.

A ministra colombiana das Relações Exteriores, Maria Ángela Holguín, disse que a decisão de renegociar o pacto oficialmente depende das Farc.

    "A questão é que, assim como o governo tem seus mediadores, as Farc também têm, então temos que ver se eles estão dispostos a reabrir o acordo", disse Holguín aos repórteres.

    Todos os envolvidos, inclusive os eleitores que votaram "não" e que saíram vitoriosos no domingo por menos de um ponto percentual, dizem querer o fim da guerra, e as duas partes em conflito mantiveram o cessar-fogo.

    Mas existe uma oposição veemente, liderada pelo ex-presidente linha-dura Álvaro Uribe, a pontos centrais do pacto anterior, como a garantia de assentos para as Farc no Congresso e imunidade de penas de prisão convencionais para seus líderes.

    Uma renegociação parece depender de as Farc aceitarem ou não condições mais severas, talvez combinadas a um abrandamento das exigências de Uribe. Depois de anos se recusando a se encontrar com os negociadores, Uribe diz que agora está disposto a buscar uma solução conjunta.

Três representantes de seu partido de direita Centro Democrático devem analisar os detalhes com três nomes do governo.

Os mercados financeiros colombianos tiveram uma queda na segunda-feira, já que os investidores temem que o limbo do acordo de paz detenha reformas fiscais, como alterações nos impostos. Mas o ministro das Finanças, Mauricio Cardenas, disse que as reformas tributárias irão adiante.

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