ENTREVISTA-AGCO aposta que mudanças no Brasil e Argentina impulsionam investimentos

Por Marcelo Teixeira

FOZ DO IGUAÇU (Reuters) - A AGCO Corporation, líder no segmento de máquinas agrícolas, acredita que mudanças políticas no Brasil e na Argentina podem desencadear renovados investimentos agrícolas nos dois maiores países da América do Sul e reviver o status da região como uma área de crescimento na produção.

Após ver suas vendas despencarem nos dois países produtores de grãos em meio a recessões profundas, a AGCO está apostando que a chegada de governos mais favoráveis a negócios vai impulsionar investimentos nas potências agrícolas, disse seu presidente à Reuters em entrevista.

No Brasil, maior exportador mundial de café, açúcar e soja, Michel Temer assumiu formalmente a presidência em agosto após Dilma Rousseff sofrer impeachment pelo Senado por acusações de romper regras orçamentárias, em meio à maior crise econômica em décadas.

Na Argentina, que também é um dos principais exportadores de soja e milho, o presidente Mauricio Macri está encaminhando o país para a centro-direita desde que assumiu o cargo em dezembro.

"Sim, estamos satisfeitos com as mudanças políticas", disse Martin Richenhagen à Reuters, paralelamente a uma reunião de quatro dias com líderes sul-americanos em Foz do Iguaçu, perto da fronteira entre a Argentina e o Paraguai.

"Quando o Brasil estiver de volta, vai ser um momento importante. Então, precisamos ter certeza que teremos capacidade para reagir rapidamente", disse o presidente da empresa.

Richenhagen disse que haviam sinais promissores na Argentina após Macri ter eliminado a maior parte dos impostos sobre exportações de alimentos e introduzido novas medidas de financiamento para produtores.

O executivo nascido na Alemanha havia chamado os impostos de exportação sobre bens agrícolas, introduzidos pelo governo anterior de Cristina Fernandez, uma "estupidez".

Ele também já criticou o modo como o governo brasileiro anterior havia limitado financiamentos a produtores, dizendo que Brasília estava desacelerando o processo propositalmente para reduzir gastos.

As vendas da AGCO na América do Sul têm caído desde 2013. Sua produção na região foi de 85 mil unidades por ano em 2013 para 52 mil unidades em 2015 e ainda deve cair cerca de 5 por cento mais neste ano.

Mas a companhia espera ver o primeiro aumento nas vendas em 2017, em estimados 12 por cento. Isso deve ajudar a compensar vendas menores nos EUA, uma vez que preços mais baixos dos grãos reduzem os investimentos por produtores norte-americanos.

Richenhagen ainda vê grande potencial na América do Sul e está disposto a apostar na região. Ele disse que os investidores da AGCO estavam cientes da importância da América Latina em um ambiente de negócios cíclico.

"Eles sabem a importância da nossa presença aqui. Cerca de 80 por cento do nosso negócio acontece fora dos EUA, o que nos dá um portfólio equilibrado para que, quando as coisas não vão bem em uma região, elas possam ser compensadas em outra", disse ele.

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