Ex-premiê Blair indica desejo de voltar à política do Reino Unido

LONDRES (Reuters) - O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que pode voltar a desempenhar um papel de destaque na política do Reino Unido para tentar evitar que o Partido Conservador, da atual premiê Theresa May, destrua o país com uma saída dura da União Europeia.

Único premiê do Partido Trabalhista que venceu três eleições gerais, Blair foi imensamente popular no início de seus 10 anos no poder, mas seu apoio à invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos abalou gravemente sua reputação.

Em uma entrevista à revista Esquire, Blair disse ser uma "tragédia" que os britânicos tenham sido reduzidos a escolher entre um Partido Conservador comprometido com uma saída difícil da UE e um Partido Trabalhista que descreveu como "ultraesquerda" e preso nos anos 1960.

"Não sei se há um papel para mim", disse. "Existe um limite ao que quero dizer sobre minha própria posição neste momento".

"Tudo que posso dizer é que esta é a situação da política. Isso mexe comigo? Sim, mexe. Isso me motiva muito? Sim. Agora para onde vou? O que faço exatamente? Essa é uma questão em aberto".

O choque do referendo britânico que decidiu a separação da UE em junho levou May ao poder, e a ex-ministra do Interior indicou que vê a votação como uma exigência de mudanças abrangentes na maneira como o Reino Unido é governado.

A abordagem de May assustou os investidores que acreditam que o país está rumando para um "Brexit duro", o que significa que desistirá de tentar permanecer no mercado comum da UE para impor controles sobre a imigração dos outros 27 Estados-membros.

O referendo também abalou o partido de Blair, cujo líder esquerdista Jeremy Corbyn foi acusado de não defender a permanência da nação no bloco com firmeza suficiente.

Eleito pela primeira vez no ano passado em uma onda de entusiasmo com um novo tipo de política, Corbyn foi obrigado a competir novamente pelo cargo. Embora o tenha reconquistado, e com mais força do que antes, ele ainda carece do apoio dos membros centristas da legenda.

Blair disse que Corbyn oferece uma "mistura de fantasia e erro". Segundo ele, como resultado, o Reino Unido é um "Estado de partido único".

"A razão de a posição destes caras não ser uma que terá apelo com o eleitorado não é eles serem muito de esquerda, ou eles serem muito aferrados a seus princípios. É eles estarem muito errados", disse.

Mas as chances de Blair conquistar um papel novo e influente podem ser limitadas após um inquérito de sete anos que em julho resultou em um veredicto demolidor sobre a maneira como ele tratou e justificou a guerra do Iraque, e muitos britânicos acreditam que ele deveria ser processado criminalmente.

(Por Kate Holton)

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