Pesquisa mostra que alguns parlamentares britânicos pró-Europa agora apoiam Brexit

Por Kylie MacLellan

LONDRES (Reuters) - Uma série de parlamentares que se opuseram à desfiliação do Reino Unido da União Europeia em um referendo de junho, o chamado Brexit, agora apoiariam o início dos procedimentos de rompimento formal do bloco – contanto que caiba ao Parlamento decidir, mostrou uma pesquisa da Reuters.

Os resultados da sondagem pela internet criaram a possibilidade de a primeira-ministra britânica, Theresa May, poder vencer uma votação no que vinha sendo um Parlamento predominantemente pró-UE, embora seu governo continue determinado a evitar a realização de tal consulta.

May já disse que irá acionar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa da UE – que dá a largada a um período inicial de dois anos durante o qual o Reino Unido deve negociar os termos de sua saída – até o final de março do ano que vem, sem conceder uma votação aos parlamentares.

Mas a Alta Corte de Londres deve começar a ouvir na quinta-feira uma contestação legal apresentada pelo administrador de um fundo de investimento pró-UE que quer obrigar a premiê a deixar que o Parlamento decida quando, como e se irá ativar o Artigo 50.

Na pesquisa online, a Reuters indagou aos membros da Câmara Baixa britânica – excluindo os quase 100 que têm cargos no governo e por isso são obrigados a acompanhar a posição de May – como votariam se a contestação fosse bem-sucedida.

Dos 57 que responderam, mais de 60 por cento disse que apoiaria o início das negociações formais. Mais de um terço dos entrevistados que votaram pelo "fica" no referendo de 23 de junho disseram que agora concordam em desencadear o processo do Brexit.

"A consequência de um voto 'sai' era clara para todos, que sairíamos da UE. A maioria dos eleitores do 'fica' não quer o processo democrático do referendo contornado pelos membros do Parlamento", disse um integrante do Partido Conservador que apoiou o "fica", mas agora favorece o acionamento do Artigo 50, em resposta ao levantamento anônimo.

May descreveu as contestações legais do Brexit como uma tentativa de "subverter" a democracia e adiar o processo depois de os britânicos terem escolhido se separar do bloco com uma margem de 52 a 48 por cento de votos.

Na pesquisa, todos os 21 parlamentares que votaram "sai" em junho apoiaram a invocação do Artigo 50. Dos 36 entrevistados do campo do "fica", 14 disseram que passaram a endossar o início das negociações do Brexit.

May precisaria de uma mudança de opinião significativa entre os parlamentares caso uma votação fosse realizada - cerca de três quartos dos 650 membros da Câmara Baixa apoiavam a permanência na UE antes do referendo.

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