Haiti tenta acertar distribuição de ajuda para vítimas de furacão em meio à onda de cólera

Por Gabriel Stargardter e Makini Brice

PORT-À-PIMENT, Haiti (Reuters) - Médicos estrangeiros com macas laranjas e galões de cloro estão contendo o surto de cólera na costa do Haiti atingida pelo furacão, mas o foco na doença que forças de paz das Nações Unidas trouxeram para o país há seis anos está retardando a chegada de alimentos e abrigo para as vítimas da tempestade.

O furacão Matthew atingiu a região no sudoeste do Haiti na semana passada, matou pelo menos mil pessoas e deixou 1,4 milhão precisando de ajuda, incluindo centenas de milhares que ficaram sem casa. Ele também destruiu plantações e desencadeou o novo surto de cólera.

Ao longo da costa de vilas destruídas, moradores irritados montam barreiras com pedaços de árvore e galhos para tentar parar os caminhões com comida e outros mantimentos que eles veem passar rapidamente pelo local.

As barreiras nas vias mostram a raiva que pode rapidamente se intensificar se as agências de ajuda e o governo não acelerarem os esforços de socorro no país mais pobre das Américas.

"As doações passam, e eles não param. Precisamos de comida e abrigo”, disse Jean Jacques, 30 anos, pescador, que também planta para a sua subsistência. Em volta dele, cerca de 50 moradores do local reclamavam que ninguém os ajudava.

As Nações Unidas e organizações de ajuda estão agora se apressando pelas áreas mais atingidas pelo furacão, a maior operação de ajuda no Haiti desde o devastador terremoto de 2010.

Contudo, o grande esforço precisava controlar uma nova onda de cólera, iniciada após a passagem do furacão, e as tensões relacionadas à entrega da comida são um lembrete para a história de ajuda estrangeira ao Haiti, que, certas vezes, trouxe tantos danos quanto bônus.

Em outubro de 2010, forças de paz do Nepal introduziram acidentalmente cólera no Haiti, quando o acampamento deles escoou esgoto infectado para um rio. Desde então, a doença já matou mais de 9.000 pessoas.

“Eles reconheceram a culpa e por essa razão tentam ajudar”, afirmou a médica haitiana Marie Sophia Sanon, que chefia a unidade de cólera em Jérémie, a maior cidade da área atingida pelo furacão e reduzida em boa parte a destroços. Desde a semana passada, ela salvou 72 pessoas que sofriam com a doença que mata com a diarreia.

Pelo menos 9,5 bilhões de dólares em ajuda chegaram ao Haiti nos dois anos posteriores ao terremoto de 2010, que, segundo o governo, matou mais 300 mil pessoas. No entanto, muitos grupos de ajuda tiveram prioridades que frequentemente não batiam com as necessidades do país.

Muitas doações de comida reduziram os preços da produção dos agricultores e afetou as vendas em lojas, prejudicando a economia e tornando mais difícil para o Haiti se reerguer.

Muitas barracas e pouco material de construção mantiveram pessoas em habitações precárias por anos.

A Cruz Vermelha dos Estados Unidos, que arrecadou cerca de 500 milhões de dólares em ajuda depois do terremoto, foi ridicularizada por construir apenas seis casas, embora ela diga ter ajudado dezenas de milhares de haitianos a repararem os seus lares.

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