Turquia demite ou suspende centenas de juízes e promotores em ação pós-golpe

ANCARA (Reuters) - As Forças Armadas da Turquia demitiram 109 juízes militares nesta quinta-feira, informou o Ministério da Defesa, ampliando ainda mais uma ação repressiva que tem visado dezenas de milhares de funcionários públicos e que é parte de uma investigação sobre uma tentativa de golpe de Estado realizada em julho.

Autoridades judiciais também suspenderam outros 184 juízes e promotores, aumentando uma série de demissões e prisões que Ancara diz ter como meta extirpar os seguidores do clérigo Fethullah Gulen, que vive nos Estados Unidos e que o governo turco afirma ter elaborado o golpe.

Gulen nega as acusações de que esteve por trás do golpe fracassado, durante o qual mais de 240 pessoas, incluindo civis, foram mortas enquanto soldados rebelados usavam caças, helicópteros e tanques para bombardear instituições governamentais, inclusive o Parlamento.

Cerca de 32 mil pessoas foram presas e aguardam julgamento, e 100 mil membros dos serviços civil e de segurança, professores e outros profissionais foram demitidos ou suspensos do trabalho na esteira da repressão.

A agência estatal de notícias Anadolu relatou que os 184 juízes e promotores foram suspensos por usarem um aplicativo de mensagens chamado ByLock. A agência de inteligência da Turquia identificou cerca de 56 mil usuários do ByLock, que os seguidores de Gulen começaram a usar em 2014, disseram autoridades.

Um total de 3.456 juízes e promotores foram expulsos do judiciário devido à investigação do golpe, disse a Anadolu.

A medida do Ministério da Defesa elevou o número de juízes militares demitidos para 209 do total de 468 antes do golpe, segundo a agência de notícias privada Dogan.

Entre os demitidos estão os ex-assessores legais do chefe do Estado-Maior e da Força Aérea.

Houve quem expressasse temor com o impacto da repressão sobre as instituições estatais, e nesta quinta-feira o comando da Guarda Costeira publicou um anúncio em seu site para recrutar 760 soldados novos.

Na quarta-feira, as autoridades emitiram mandados de prisão para mais 215 policiais, e a Defesa disse que as Forças Armadas dispensaram mais de 200 oficiais.

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