ONU teme mais cólera no Haiti após furacão e diz que protestos atrasam socorro

Por Makini Brice

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - A escala do surto de cólera desencadeado no Haiti após a passagem do furacão Matthew pode estar subavaliada porque áreas remotas estão isoladas, disse na terça-feira um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) a cargo do controle da doença, acrescentando que os protestos contra a demora na chegada de ajuda estão agravando o problema.

David Nabarro, conselheiro especial do secretário-geral da ONU que anteriormente estava encarregado da reação global da entidade à doença transmitida pela água, disse temer que os doentes não estejam sendo tratados.

Ele pediu que nações doadoras financiem a reação da ONU à epidemia, um tópico delicado no Haiti porque a doença foi introduzida acidentalmente no país caribenho por soldados pacificadores da ONU e desde então matou mais de 9 mil pessoas.

Algumas estradas no sudoeste haitiano continuam intransitáveis desde a tempestade deste mês, e a revolta crescente com o ritmo lento e a distribuição irregular de ajuda humanitária têm levado pessoas desesperadas a erguer barreiras em estradas e, em alguns casos, saquear comboios de ajuda.

"Não sabemos se há muitas pessoas com o problema do cólera nas áreas que não conseguimos acessar, e é por isso que peço às pessoas que nos deem acesso a todos os locais", disse Nabarro a jornalistas.

"Tememos haver pessoas em cavernas, em outros lugares, sem ajuda, e talvez estejam doentes".

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