Inflação de serviços deve ceder e ajudar BC no ciclo de queda dos juros

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação de serviços está sentindo o enfraquecimento da economia, sobretudo com a deterioração do mercado de trabalho, e a expectativa é que os preços sigam desacelerando em 2017, o que deve ajudar o Banco Central no ciclo de redução da taxa básica de juros.

As projeções de analistas ouvidos pela Reuters indicam que a inflação de serviços deve terminar perto 7 por cento neste ano. Em 2017, diante da previsão de aumento do desemprego, os economistas preveem que pode até ir a 5 por cento.

"Como o comportamento da inflação de serviços está associada ao mercado de trabalho, ela deve continuar caindo no ano que vem", afirma o pesquisador do Instituto Brasileira de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Salomão Quadros, para quem a inflação de serviços deve fechar a 6 por cento em 2017.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14 por cento ao ano, dando início a um novo ciclo de afrouxamento depois de quatro anos. No comunicado, apontou como um dos riscos para a inflação "os sinais de pausa no processo de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico", numa referência à inflação de serviços.

Boa parte dos analistas de mercado acredita que o BC deve acelerar o ritmo da queda dos juros e no encontro de novembro reduzir os juros em 0,50 ponto porcentual, mas um corte de 0,25 não passou a ser totalmente desconsiderado por causa desse recado do BC.

Além da menor inflação de serviços, os que apostam numa queda mais intensa da Selic têm no radar a piora do mercado de trabalho, reflexo do ritmo fraco de atividade econômica.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto subiu para 11,8 por cento, nível recorde desde que o levantamento começou a ser realizado em 2012. No mesmo período do ano passado, a desocupação era de 8,7 por cento.

PERDA DE FORÇA

A inflação de serviços sempre foi um entrave para o governo conseguir controlar os preços e seguidamente rondou acima do IPCA, mas nos últimos meses, tem mostrado fraqueza. Em 2015, os preços de serviços subiram 8,10 por cento e, neste ano, até setembro, acumulava 7,04 por cento em 12 meses. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de quase 8,50 por cento.

"A tendência é haver maior convergência dos preços do serviço com a inflação (geral)", disse o economista e professor da Faculdade de Economia e Administração (Fea) da USP, Heron do Carmo, especialista no assunto.

"A queda dos preços dos serviços é relevante pelas características da economia brasileira. O Brasil tem uma indexação formal e o brasileiro se acostumou a conviver com uma inflação elevada", afirma Heron.

A inflação de serviços também deve ser beneficiada em 2017 pelo menor avanço do salário mínimo, que deve subir 7,5 por cento e menor do que o verificado em anos anteriores.

"Será essencial para número do ano que vem o menor crescimento do salário mínimo, que costuma ter um peso relevante nessa parte do indicador de inflação", afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

A queda de preços no setor de serviços é esperada mas, para alguns analistas, existe o risco de a redução não se concretizar na velocidade desejada porque há itens que não são impactados pela demanda.

No IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira, os serviços aceleraram ligeiramente a alta para 0,46 por cento neste mês, ante 0,43 por cento em setembro, pressionados pelas passagens aéreas, que subiram 10,36 por cento neste mês.

"O BC não gosta do ritmo em que os serviços estão cedendo. Acha que é um ritmo lento", afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem a inflação de serviços ficará em 5,07 por cento em 2017.

Para o analista de inflação da consultoria Tendências, Marcio Milan, a inflação de serviços um pouco mais alta neste mês, como mostrou o IPCA-15, não alterou de forma significativa a tendência de leve desaceleração de serviços.

"Puxa para baixo os preços de serviços mais sensíveis à renda", acrescentou ele.

(Reportagem adicional de Camila Moreira; Edição de Patrícia Duarte)

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