Vaticano e China farão reunião para tentar finalizar acordo sobre ordenamento de bispos

Por Lisa Jucca e Benjamin Kang Lim

ROMA/HONG KONG/PEQUIM (Reuters) - Representantes do Vaticano e da China devem se reunir antes do final do mês em Roma na tentativa de finalizar um acordo sobre o ordenamento de bispos no território continental chinês, medida cujo objetivo é encerrar uma disputa já antiga, de acordo com fontes da igreja católica a par das negociações.

As fontes da igreja também disseram à Reuters que a China está se preparando para ordenar ao menos dois novos bispos antes do final do ano e que estas nomeações terão a bênção do Vaticano. Uma pessoa com laços com a liderança de Pequim confirmou que estes ordenamentos irão acontecer.

Durante mais de seis décadas, o governista Partido Comunista da China se opôs ao direito de Roma de ordenar bispos chineses, uma disputa acirrada por autoridade sobre os até 10 milhões de católicos na China continental. Bispos, padres e católicos leigos fiéis a Roma vêm enfrentando perseguições, o que provocou ceticismo em relação à détente em certos círculos católicos.

Como mais um sinal de progresso, o Vaticano decidiu reconhecer ao menos quatro bispos chineses que foram indicados por Pequim sem o consentimento do papa e que por isso são considerados ilegítimos pela Santa Sé, segundo fontes da igreja católica e outras por dentro das conversas. A decisão vem na esteira de uma reunião construtiva, realizada em meados de agosto na capital chinesa, envolvendo os representantes do Vaticano nas tratativas com a China e vários destes bispos.

Para o Vaticano, um acordo a respeito do ordenamento de bispos é importante porque diminuiria a possibilidade de um rompimento formal com a igreja católica chinesa, que está dividida entre uma comunidade que segue a hierarquia católica sancionada pelo Estado e uma comunidade "subterrânea" que jura fidelidade somente ao papa em Roma. Um entendimento sobre o ordenamento ajudaria a unir estas duas comunidades, dizem a igreja católica e fontes do Vaticano.

Um acordo "definitivamente eliminaria o risco de um cisma (dentro da igreja na China), que é uma ameaça em potencial há sessenta anos", disse Elisa Giunipero, pesquisadora da Universidade Católica de Milão que há 20 anos estuda a história da igreja católica na China.

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