Ex-presidente uruguaio Jorge Batlle morre aos 88 anos

Por Malena Castaldi

MONTEVIDÉU (Reuters) - Jorge Batlle, político veterano e quarto membro de sua família de imigrantes catalães a se tornar presidente do Uruguai, morreu na segunda-feira, um dia antes de seu aniversário de 89 anos.

Battle morreu na clínica Sanatorio Americano de Montevidéu após uma cirurgia para tratar de um coágulo de sangue ocasionado por uma queda sofrida neste mês, informou a clínica.

Líder centrista do Partido Colorado, de direita, ele buscou laços mais próximos e pactos de livre comércio com os Estados Unidos durante sua presidência entre 2000 e 2005, que também ficou marcada por uma das piores crises financeiras da história do país sul-americano.

Em 2002, o Uruguai rompeu as relações diplomáticas com Cuba depois de o líder cubano Fidel Castro chamar Batlle de "lacaio" dos EUA por apoiar as críticas de Washington aos abusos de direitos humanos sob seu governo comunista.

Batlle causou um incidente diplomático com a Argentina no mesmo ano ao dizer em uma entrevista que o governo da nação vizinha era muito corrupto e que os argentinos eram "um bando de ladrões". Ele foi obrigado a voar a Buenos Aires alguns dias depois para se desculpar.

Ele também criou polêmica dizendo que era a favor da legalização da cocaína para acabar com o poder dos cartéis de drogas. "Se aquele pozinho só valesse 10 centavos, não haveria organizações dedicadas a arrecadar um bilhão de dólares para financiar exércitos na Colômbia", disse ele em 2002.

O nome da dinastia política Batlle é uma presença constante no Uruguai – em placas de ruas e praças e em livros de história. Os presidentes anteriores na família foram Lorenzo Batlle (1868-1872), José Batlle (1903-1907 e 1911-1915) e Luis Batlle (1947-1951), pai de Jorge Batlle.

Orador incendiário de cabelo grisalho ondulante e aparência ligeiramente boêmia e desarrumada, o alto e magro Batlle conquistou a presidência em sua quarta tentativa.

Ele defendia o livre mercado em sua política econômica e cultivou uma amizade com o ex-presidente norte-americano George H.W. Bush. Em 2002, Batlle obteve um empréstimo emergencial de 1,5 bilhão de dólares dos EUA, então comandado por George W. Bush, para ajudar a resolver uma crise bancária.

Ex-advogado e radialista respeitado, ele passou vários meses preso após um golpe militar em 1973 e foi banido da atividade política em 1976. Ele viria a ser eleito como senador nas eleições gerais de 1984, que abriram caminho para um governo que substituiu a ditadura militar, que entregou o poder em março de 1985.

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