Mulheres parlamentares enfrentam sexismo e violência no trabalho, diz estudo

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Mulheres parlamentares de todas as regiões enfrentam sexismo, assédio e violência de seus colegas homens e são cada vez mais visadas por campanhas de humilhação na internet, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira.

O primeiro estudo do tema realizado pela União Interparlamentar (IPU, na sigla em inglês) vem na esteira de escândalos na França e em outros países nos quais as mulheres denunciaram abusos nos corredores do poder.

A violência e o assédio sexistas contra mulheres parlamentares são "reais e disseminados", afirmou o relatório. Suas descobertas levam a crer "que o fenômeno não respeita fronteiras e existe em graus diferentes em todos os países, afetando um número significativo de mulheres parlamentares".

Os resultados se basearam em dados fornecidos por 55 mulheres parlamentares de todas as idades, selecionadas em 39 nações de cinco regiões.

Quatro de cada cinco mulheres relataram ter sido vítimas de comportamentos hostis que causaram danos psicológicos ou medo. Cerca de 44,4 por cento disseram ter sido ameaçadas de morte, estupro, espancamento ou sequestro durante seus mandatos.

"As entrevistadas disseram que a maioria destes atos foram cometidos por seus colegas homens – de partidos opositores ou de seus próprios", disse o relatório.

Ter menos de 40 anos ou pertencer à oposição ou a um grupo minoritário são "fatores agravantes" que colocam as mulheres em risco, segundo o estudo do organismo sediado em Genebra que liga 171 parlamentos nacionais.

O IPU pediu que parlamentares dos dois sexos denunciem tais comportamentos e clamou a adoção de códigos de conduta e procedimentos de queixa. As mulheres representam 22,8 por cento dos cerca de 46 mil parlamentares de todo o mundo.

"O relatório... serve para abrir os olhos, é o primeiro do tipo. Fomos entrevistar membros do parlamento para conhecer suas perspectivas pessoais, sua própria experiência", explicou Martin Chungong, secretário-geral do IPU, em um boletim à imprensa.

"Estamos estudando como podemos ajudar a resolver algumas destas questões, porque elas são uma pedra de tropeço para a participação política das mulheres", disse.

As mulheres sofrem comportamentos hostis e violência sexista em escritórios parlamentares e reuniões políticas, assim como em arenas mais novas criadas pelas redes sociais, afirmou o relatório.

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