Parlamento da Venezuela tenta levar adiante julgamento político de Maduro

Por Brian Ellsworth e Andrew Cawthorne

CARACAS (Reuters) - O Parlamento da Venezuela ouviu nesta quinta-feira testemunhos emotivos de cidadãos que acusam o presidente Nicolás Maduro de violação de direitos, em um julgamento político que busca pressionar o líder socialista a aceitar um referendo revogatório.

Assumindo o palanque um a um, oradores acusaram Maduro de responsabilidade por execuções durante operações policiais, a morte de crianças em hospitais em condições precárias e negação de comida subsidiada para os que apoiam o referendo.

"Nicolás Maduro é responsável por tudo acontecendo em nosso país", disse Brigit Duarte, acrescentando que seu filho foi morto a tiros durante uma operação. "Não é justo que eles nos matem de fome, mas também executem nossas crianças."

O julgamento da Assembleia Nacional pela violação democrática de Maduro é amplamente simbólico, dado que o governo e a Suprema Corte dizem que a legislatura é ilegítima.

Maduro, de 53 anos, definiu o julgamento como irrelevante.

"Aqui estou, trabalhando duro apesar de ter abandonado minha posição!", disse durante aparição na TV para supervisionar projetos estaduais de moradias, se referendo ao plano do Parlamento de acusá-lo de abandonar seus deveres ao violar a constituição.

A coalizão de oposição Unidade Democrata intensificou protestos desde que autoridades afundaram na semana passada a busca da coalizão por um plebiscito, com uma greve nacional e marcha ao palácio presidencial marcados para os próximos dias.

Manifestações da oposição na quarta-feira, classificados como "Ocupação da Venezuela", levaram centenas de milhares de pessoas para as ruas e deixaram dezenas de feridos e presos, à medida que os manifestantes entraram em confronto com a polícia em algumas cidades.

No início da manhã, líderes do Congresso também denunciaram que a energia do palácio legislativo foi cortada, o que os obrigou a recorrer a um gerador de emergência.

    "O palácio legislativo federal foi construído (no século 19)", escreveu o administrador do Parlamento, Roberto Marrero, em um tuíte dirigido à estatal elétrica Corpoelec. "Naquela época NÃO existia eletricidade. E eles realizavam sessões mesmo assim!".

A oposição diz que o governo Maduro deu um golpe de Estado de fato impedindo o referendo revogatório, que pesquisas indicam que o mandatário perderia. Ele diz que são seus oposicionistas que estão tentando derrubar o governo ilegalmente.

Ele observa que a combinação de uma greve nacional, agendada para sexta-feira, e uma passeata rumo ao palácio presidencial Miraflores, marcada para a semana que vem, espelham a situação da véspera do golpe de 2002, que afastou brevemente o falecido líder socialista Hugo Chávez.

    "Exortamos os parlamentares da Mesa da Unidade Democrática (MUD) a refletirem. Não tomem o rumo de um golpe", disse Hector Rodriguez, que lidera a facção governamental minoritária na Assembleia Nacional.

    Os preços globais do petróleo subiram nesta quinta-feira, em parte em reação aos tumultos renovados no país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

    Mas não surgiram sinais de que os protestos podem afetar as operações da estatal petroleira PDVSA, controlada com punho firme pelo governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 552122237141)) REUTERS CS ES

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