Crianças-soldado estão receosas de deixar as Farc na Colômbia, diz comandante rebelde

Por Anastasia Moloney

BOGOTÁ (Thomson Reuters Foundation) - A liberação de várias crianças-soldado pelo grupo rebelde colombiano Farc é uma importante prioridade, mas algumas se mostram relutantes em partir porque temem um futuro incerto longe dos insurgentes que elas veem como uma família, disse uma comandante da guerrilha.

Victoria Sandino, uma comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), tem um assento na mesa de negociações onde o governo e o grupo trabalham para retomar o acordo de paz assinado pelos dois lados, mas rejeitado por uma pequena margem de eleitores num referendo no início do mês.

Ela afirmou que crianças estão receosas em relação a deixar as fileiras rebeldes.

"Elas não querem deixar a organização”, declarou ela à Fundação Thomson Reuters numa entrevista pelo telefone de Cuba, onde os negociadores da paz estão reunidos.

"Uma das razões que elas estão nos dando é: ‘Bem, vocês protegeram a gente aqui durante os combates e todo o período da guerra. E agora que não há combates, nós devemos deixar o ambiente que conhecemos, as pessoas que conhecemos, e a nossa família, porque as Farc é uma grande família para todos nós’”, disse ela.

No mês passado, as Farc liberaram oito crianças-soldado com menos de 15 anos como parte das negociações de paz.

Victoria Sandino afirmou que não há mais combatentes com menos de 15 anos entre os rebeldes e reiterou o compromisso das Farc para liberar todas as crianças-soldado que restam, a maior parte com 16 e 17 anos de idade, apesar do resultado do referendo.

Contudo, esses esforços têm sido lentos e dificultados ainda mais pela incerteza sobre o futuro do acordo de paz.

Sob o acordo de paz assinado, combatentes rebeldes vão para áreas designadas na Colômbia e entregam as suas armas.

“Há muita resistência por parte dos outros menores de 18 anos a respeito de partirem antes que todos nós sejamos reincorporados à vida civil", afirmou Victoria Sandino.

Os negociadores das Farc e do governo discutem nesta semana dezenas de propostas de representantes dos que votaram contra o acordo por considerarem o texto final como muito leniente com os rebeldes.

Os que votaram “não”, liderados por Álvaro Uribe, ex-presidente do país e hoje na oposição, desejam que rebeldes que cometeram crimes de guerra sejam confinados por cinco a oito anos, possivelmente em colônias agrícolas, e banidos de cargos eletivos.

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