FBI reabre investigação e problema dos emails de Hillary volta à tona nos EUA

Por Mark Hosenball e Jonathan Allen

WASHINGTON/NOVA YORK (Reuters) - O FBI informou nesta sexta-feira que estava investigando mais emails como parte de um inquérito sobre o uso por Hillary Clinton de um sistema de emails privado, numa nova reviravolta na campanha presidencial dos Estados Unidos a apenas 11 dias da eleição.

O diretor do FBI, James Comey, disse numa carta a republicanos presidentes de comissões no Congresso norte-americano que a agência vai determinar se os emails contêm informações confidenciais.

Não estava claro como o anúncio afetaria os esforços da candidata democrata, Hillary Clinton, para ganhar as eleições de 8 de novembro. Ela está na frente do republicano Donald Trump nas pesquisas de opinião depois de uma dura campanha.

Comey afirmou que não sabia “quanto tempo iria levar para completar esse trabalho adicional” ou quão significativo o novo material poderia ser.

Uma fonte do governo afirmou que os emails foram encontrados num outro dispositivo que não o servidor privado de emails de Hillary, que eles haviam examinado antes como parte de uma investigação de um ano que parecia terminada.

Embora os investigadores tenham concluído que Hillary não violou a lei, Trump tem dito que as práticas de Hillary em relação aos emails foram criminosas e deveriam desqualificá-la para o cargo. Ele tirou proveito das notícias desta sexta.

"Eu preciso abrir com o anúncio de uma última notícia muito crítica”, disse Trump ao iniciar um comício em Manchester, em New Hampshire, antes de descrever a carta de Comey.

Ele foi abafado pelo grito do público: "Lock her up!" (“prendam ela”, em tradução literal).

Hillary já se desculpou várias vezes por usar o servidor privado de emails da sua casa em Nova York em vez da conta do governo para o seu trabalho como secretária de Estado de 2009 a 2013. Ela diz que não enviou nem recebeu conscientemente informação confidencial.

As ações no mercado dos Estados Unidos caíram durante uma sessão volátil nesta sexta-feira, mas foram capazes de se recuperar parcialmente da queda acentuada provocada pelo anúncio do FBI.

A campanha à Casa Branca entra nos seus últimos dias com a ex-primeira-dama Hillary, que tem passado por escrutínio intenso há anos, aparentemente com vantagem sobre Trump, um empresário de Nova York que nunca exerceu um cargo público.

Especialistas dizem que cerca de 20 por cento dos votos já foram depositados, uma vez que mais norte-americanos votam pelo correio ou vão às urnas mais cedo.

"Um monte de preocupações com esses emails já foram assadas nesse bolo eleitoral, eu acho. Eles sabem que ela fez, eles sabem que foi inapropriado e, a não ser que haja alguma revelação sensacional no dia 6 de novembro, é difícil ver isso fazendo uma grande diferença”, afirmou Linda Flower, professora de governo da Faculdade de Darthmouth.

"EXTRAORDINÁRIO"

O chefe da campanha de Hillary, John Podesta, afirmou que era “extraordinário” para o FBI divulgar a carta tão perto do final de uma eleição tão disputada.

"O diretor deve isso ao povo norte-americano, fornecer imediatamente todos os detalhes do que ele está agora examinando. Nós estamos confiantes de que isso não vai produzir nenhuma conclusão diferente da que o FBI chegou em julho”, disse Podesta em comunicado.

O FBI passou cerca de um ano investigando o uso de um servidor privado de emails não autorizado por Hillary por causa das preocupações de que mensagens pudessem conter segredos confidenciais do governo.

Em julho, o FBI chamou a forma como ela lidou com essas informações de “extremamente descuidada”, mas recomendou que não houvesse processo criminal.

O New York Times, citando agentes de força de segurança, afirmou que os novos emails foram descobertos depois que o FBI apreendeu dispositivos eletrônicos que pertenciam a Huma Abedin, assessora de Hillary, e ao marido dela, Anthony Weiner.

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