Autor israelense pede demissão após acusações de assédio sexual

JERUSALÉM (Reuters) - Um proeminente jornalista e autor israelense pediu demissão de seu emprego no domingo, após uma segunda mulher o acusar de assédio sexual, com a primeira tendo sido motivada a ir a público após a série de acusações de agressão sexual contra o candidato presidencial norte-americano Donald Trump.

Ari Shavit trabalhava como colunista do jornal de esquerda Haaretz e escreveu a narrativa histórica aclamada internacionalmente "Minha terra prometida: o triunfo e a tragédia de Israel".

"Tenho vergonha dos erros que cometi em relação às pessoas em geral e às mulheres em particular," Shavit escreveu em sua nota de demissão, pedindo desculpas a sua esposa e filhos.

Na semana passada, a repórter americana Danielle Berrin escreveu no site de notícias norte-americano Jewishjournal.com que ela foi vítima de avanços sexuais indesejados por um "jornalista reconhecido de Israel" em 2014.

Ela disse que foi a público agora porque o candidato presidencial republicano Donald Trump tinha "colocada a agressão sexual à frente do debate nacional" nos Estados Unidos.

Pelo menos 10 mulheres acusaram Trump de avanços sexuais indesejados --alegações que ele rejeitou como "total e absolutamente falsas". Mas um vídeo divulgado mais cedo neste mês mostrou ele se gabando sobre agressões sexuais a mulheres.

Berrin descreveu como o jornalista israelense e autor que ela estava entrevistando em um saguão de hotel nos Estados Unidos agarrou a parte de trás de sua cabeça e tentou beijá-la.

Ela não nomeou o agressor no texto, mas deixou pistas suficientes sobre a sua aparência física e seu livro para lotar as mídias sociais de rumores de que Shavit, casado e em seus 50 anos, era o homem.

Na quinta-feira, Shavit --cujo livro ganhou elogios no New York Times, Washington Post e The Economist-- reconheceu uma "interação" com Berrin --chamando-a de "flerte" que agora ele percebeu que via como "impróprio, até mesmo comportamento de assédio na minha parte".

"Peço desculpas do fundo do meu coração por este mal-entendido", escreveu Shavit em um comunicado. A resposta de Berrin, no website do Jewish Journal: "Nada disso foi flerte; este foi um ataque à minha dignidade e profissionalismo que assustou e me perturbou".

No domingo, depois de uma segunda mulher vir à tona e acusá-lo de assédio sexual em 2014, Shavit emitiu outro comunicado dizendo que estava assumindo "responsabilidade moral integral por minhas ações" e demitindo-se do Haaretz e da emissora de TV israelense Canal 10, onde ele era comentarista.

A Hillel International, um grupo de estudantes judeus dos EUA, já havia anunciado na sexta-feira que estava suspendendo uma turnê de palestras de Shavit no campus, após as acusações.

(Por Jeffrey Heller)

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