Governo da Argentina busca domar oposição peronista com reforma eleitoral

Por Nicolás Misculin

BUENOS AIRES (Reuters) - O governo da Argentina apresentou um projeto de reforma eleitoral que pode prejudicar a oposição peronista nas eleições do ano que vem que determinarão a força que o presidente Mauricio Macri terá no Congresso nos últimos anos do seu mandato.

A proposta prevê que o governo imprima cédulas eleitorais unificadas com todos os candidatos, substituindo o sistema de partido por partido que tem beneficiado grupos maiores como o peronismo.

Desde as eleições de 2015 Macri diminuiu os subsídios no setor de energia, cortou impostos da exportação de grãos e abandonou controles comerciais e cambiais. As eleições de 2017 vão decidir se ele vai conseguir aprovar o resto do seu programa de liberalização de mercados no Congresso.

Sob a legislação atual, cada partido fornece a sua própria cédula. Para dividir o voto com outro partido, é necessário uma outra cédula, uma vantagem para os partidos maiores, como os peronistas, que podem imprimir mais cédulas e ter representantes em mais zonas eleitorais para garantir que todos os seus votos sejam contados.

Em eleições passadas, tem havido alegações de fraude, segundo as quais um partido teria desaparecido com a cédula do rival.

“A cédula unificada vai afetar os grandes partidos”, disse Mariel Fornoni, analista da Management & Fit.

Uma autoridade do governo próxima a Macri foi mais explícita: “A reforma vai significar o fim da máquina peronista”, afirmou ela, que pediu para não ser identificada.

A expectativa é que o Senado vote o projeto nas próximas semanas. O partido de Macri é minoritário no Senado, mas ele pode conseguir reunir uma coalizão para aprovar a proposta e enviá-la para a Câmara para a aprovação final.

O peronismo é uma grande força desde que Juan Domingo Perón surgiu na cena nacional como parte de um golpe nos anos 1940.

A antecessora de Macri, Cristina Fernández, é de uma corrente de esquerda do peronismo. Macri lidera um partido muito menor, que tem sido exitoso em aprovar projetos no Congresso como parte de uma coalizão mais ampla.

“Não acreditamos em máquinas políticas”, disse Marcos Pena, chefe de gabinete de Macri, recentemente à Reuters. “Nós temos uma visão mais contemporânea da política.”

Macri foi eleito depois de prometer tirar a Argentina da recessão e atrair investimentos estrangeiros diretos. Nenhuma das duas promessas se concretizou até agora. A produção industrial encolheu 7,3 por cento em setembro, em relação ao ano anterior.

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