Brutalidade do Estado Islâmico é exposta com avanço militar iraquiano

Por Stephen Kalin

HAMMAM AL-ALIL, Iraque (Reuters) - Por de trás das cortinas da janela do seu quarto, Riyad Ahmed, de 29 anos, observava combatentes do Estado Islâmico levando civis para uma prisão improvisada do outro lado da rua e depois os enviando no meio da noite para serem executados.

O ex-professor de inglês da cidade de Hammam al-Alil, ao sul do reduto dos extremistas Mosul, lembra de ouvir os gritos de agonia das vítimas enquanto ele se escondia com dezenas de vizinhos em local próximo de um dos centros de detenção do grupo.

"O próprio diabo ficaria espantado com os métodos de tortura do Estado Islâmico. É além da imaginação”, disse Ahmed.

O Exército e a polícia federal do Iraque, que participam do ataque apoiado pelos Estados Unidos e iniciado no mês passado para recapturar o principal centro populacional sob controle dos extremistas, reconquistaram essa área durante o fim de semana.

À medida que as forças avançam, detalhes da brutalidade do Estado Islâmico e do crescente desespero são reforçados pelos relatos dos moradores.

Na via entre a sua casa e a prisão, Ahmed disse à Reuters nesta segunda-feira que nenhuma parte de Hammam al-Alil foi poupada da violência do Estado Islâmico.

Somente na sua rua ele disse que seis pessoas que conhecia foram executadas, incluindo o seu pai e uma família vizinha de três pessoas.

Organizações de ajuda, autoridades locais e moradores de Mosul têm citado relatos de que o grupo executou dezenas de pessoas na região de Hamman al-Alil em uma semana, suspeitando de que planejavam revoltas para ajudar as tropas que avançavam.

O Estado Islâmico, segundo Ahmed, usara o colégio agrícola da cidade como “um campo de assassinatos” de centenas de pessoas nos dias anteriores ao avanço do governo iraquiano.

“Eles torturavam lá dentro e depois traziam para fora e atiravam neles ou cortavam as suas gargantas.”

A polícia corrobora os relatos dele, e a rua do colégio ainda tinha explosivos nesta segunda-feira, impedindo uma visita da Reuters.

Os militares dizem que no complexo foram descobertos corpos decapitados de pelo menos 100 civis.

Ahmed, que aprendeu inglês quando as forças dos EUA ocuparam o Iraque por nove anos depois de derrubar Saddam Hussein em 2003, estava feliz de falar com um jornalista estrangeiro após dois anos em que ele temeu ser morto se falasse inglês.

"Nós estivemos morando no inferno, como zumbis”, afirmou ele.

Moradores em Hammam al-Alil contaram nesta segunda-feira como eles se aglomeraram em casas com quase 100 pessoas cada uma para evitar serem levados para Mosul à medida que o Estado Islâmico recuava.

"Eles não sabiam que estávamos aqui. Não fizemos um ruído. Nenhuma luz, nenhum som, ninguém falando”, disse Ahmed.

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