Ex-secretária de Justiça dos EUA Janet Reno morre aos 78 anos

Por Will Dunham

(Reuters) - Janet Reno, primeira mulher a se tornar secretária de Justiça dos Estados Unidos e que serviu durante os turbulentos oito anos do governo Bill Clinton, morreu aos 78 anos.

A afilhada de Reno, Gabrielle D'Alemberte, disse que ela sofreu complicações do mal de Parkinson e morreu no início desta segunda-feira em Miami.

A advogada foi a principal autoridade de aplicação da lei nos EUA durante o governo Clinton entre 1993 e 2001, tornando-se a pessoa que passou mais tempo no cargo no século 20.

Em 1993, com poucas semanas na função, ela autorizou a invasão do complexo de Waco, no Texas, que abrigava o culto do Ramo Davidiano.

Em 2000, Reno autorizou agentes federais a tirarem Elián González, menino cubano de 6 anos que sobreviveu a um naufrágio, de seus parentes em Miami, e comandou o Departamento de Justiça durante o grande caso antitruste do governo contra a Microsoft.

A ex-procuradora de Miami, selecionada por Clinton depois que suas duas primeiras escolhas para o posto tiveram problemas na etapa de confirmação, exibia uma inclinação independente e uma maneira brusca que incomodavam a Casa Branca com frequência.

Reno suportou queixas da própria Casa Branca de que não sabia trabalhar em equipe e que convocava procuradores especiais demais para investigar casos, incluindo o Whitewater, que envolveu as finanças do presidente e da primeira-dama e hoje presidenciável Hillary Clinton.

Ela sempre disse que tomava decisões baseada nos indícios e nas leis.

Reno só havia assumido como procuradora-geral há 38 dias quando aprovou, em 19 de abril de 1993, a operação do FBI que levou à morte de cerca de 80 pessoas, incluindo muitas crianças, no complexo de Waco.

Agentes federais já haviam tentado aplicar um mandado contra o líder do culto, David Koresh, que dizia ser o messias, por armazenar armas. Quatro agentes e seis membros do culto morreram em um tiroteio subsequente, o que provocou um impasse de 51 dias.

Diante do entrave nas negociações, Reno deu o sinal verde para a invasão depois de ouvir relatos de abusos infantis no complexo. A operação contra os fanáticos fortemente armados terminou em uma batalha infernal no local.

"Tomei a decisão. Sou responsável. Eu assumo", disse Reno mais tarde, com expressão austera, em uma coletiva de imprensa.  

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