Israelenses acompanham eleição dos EUA de olho em proteção dos próprios interesses

Por Luke Baker

JERUSALÉM (Reuters) - A maior parte do mundo está acompanhando atentamente a eleição presidencial dos Estados Unidos, mas Israel pode parecer especialmente obsessivo, avaliando em detalhes qual candidato irá proteger melhor seus interesses e analisando todos os comentários em busca de dicas sobre suas políticas.

Nesta terça-feira, dia em que os norte-americanos vão às urnas, uma charge no jornal israelense esquerdista Haaretz capturou esse sentimento ao mostrar dois amigos sentados perto de um típico quiosque e discutindo em detalhes como será a votação.

"Ele não perderia Utah e Arizona de jeito nenhum, e não dá para contar com a Carolina do Norte", diz um ao outro. "Eles precisariam ganhar na Pensilvânia, e com sorte a Flórida", responde o segundo.

O fato é que, apesar de toda a inquietação, tanto a candidata democrata Hillary Clinton quanto o republicano Donald Trump provavelmente serão confiáveis para Israel, levando adiante a combinação abrangente de políticas que os presidentes dos EUA vêm seguindo desde os anos 1980. 

São os palestinos que podem ter com que se preocupar.

Ao longo dos últimos quatro anos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, teve uma relação conflituosa com Barack Obama, fazendo campanha abertamente contra o acordo de Washington com o Irã relativo ao programa nuclear iraniano e chegando a repudiá-lo em um discurso no Congresso.

Mas no final das contas isso não impediu o governo Obama de acertar um novo pacote de ajuda militar de 38 bilhões de dólares e 10 anos de duração com Israel. E, embora o presidente norte-americano tenha criticado o Estado judeu por construir mais assentamentos em terras que os palestinos querem para seu próprio Estado, a repreensão nunca foi além das palavras, essencialmente deixando os israelenses à vontade com suas obras.

Analistas dizem que a abordagem altiva deve continuar seja com Hillary ou Trump na presidência, e que existem outras razões para Israel esperar uma acolhida mais calorosa do próximo governo do que aquela recebida de Obama.

Netanyahu tem sido cuidadoso para não mostrar favoritismo, encontrando-se com os dois postulantes e dizendo basicamente o mesmo após cada reunião.

Hillary, ex-senadora de Nova York e ex-secretária de Estado, vem enfatizando repetidamente que irá proteger os interesses de Israel. Trump afirmou que irá transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, uma postura popular que praticamente entronizaria a segunda cidade como a capital do país.  

Embora pesquisas de opinião mostrem que a maioria dos israelenses prefira Hillary, Trump tem um séquito radical entre alguns nacionalistas e religiosos na nação aliada, muitos dos quais são oriundos dos EUA.

(Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi, em Gaza)

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