Líder da Coreia do Sul indica disposição de ceder poderes em meio a crise

Por Jack Kim e Ju-min Park

SEUL (Reuters) - A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, disse nesta terça-feira que irá desistir de seu indicado para primeiro-ministro se o Parlamento recomendar um candidato, e que está disposta a deixar o novo premiê controlar o gabinete, em uma tentativa de desarmar a crise que abala seu governo.

Os comentários feitos por Park em uma reunião com o presidente do Parlamento indicaram que ela está inclinada a abrir mão de parte do controle sobre assuntos de Estado, uma das principais exigências dos partidos de oposição para resolver o escândalo derivado das alegações de que uma amiga da presidente usou de forma indevida a influência que tem devido à sua ligação com a líder sul-coreana.

"Se o Parlamento recomendar uma boa pessoa com um acordo entre o partido governista e os da oposição, irei indicar esta pessoa como primeira-ministra e permitir que essencialmente assuma o controle do gabinete", disse Park ao presidente do arlamento, Chung Sye-kyun.

A posição de premiê normalmente é figurativa na Coreia do Sul, onde a maior parte do poder está concentrada no escritório presidencial.

Park foi muito prejudicada pelo alvoroço envolvendo sua amiga, Choi Soon-sil, que supostamente aproveitou sua proximidade da presidente para interferir em assuntos de Estado e exercer influência nas comunidades esportiva e cultural.

Choi foi acusada de abuso de poder e fraude, e um ex-assessor foi acusado de abuso de poder e extorsão, depois de ambos ajudarem a arrecadar o equivalente a 68 milhões de dólares de dezenas dos maiores conglomerados do país em nome de duas fundações.

Park nomeou Kim Byong-joon, ex-ministro do gabinete de um ex-presidente liberal, como premiê na semana passada, mas a manobra, que exige aprovação parlamentar, causou revolta na oposição por ser vista como uma tentativa de desviar a atenção da crise e mais um exemplo de sua abordagem impositiva.

Park se desculpou publicamente duas vezes pelo escândalo, mas seu índice de aprovação caiu para 5 por cento, segundo uma pesquisa Gallup divulgada na sexta-feira, o valor mais baixo desde que este tipo de sondagem começou em 1988.

(Reportagem adicional de Se Young Lee)

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