Mexicanos na fronteira temem catástrofe econômica se Trump vencer eleição dos EUA

Por Joanna Zuckerman Bernstein e David Alire Garcia

TIJUANA/NOGALES, México (Reuters) - Os mexicanos que moram na fronteira com os Estados Unidos estão aguardando ansiosamente o resultado da eleição presidencial desta terça-feira, atormentados pelo receio de uma catástrofe econômica se o republicano Donald Trump vencer e tentar sufocar a indústria local, isolar o país e deportar milhões de pessoas.

A campanha de Trump é uma das mais impopulares de que se tem notícia no México, tendo recorrido a ataques verbais contundentes contra imigrantes mexicanos, ameaças a seus acordos comerciais e promessas reiteradas de isolar o país atrás de um imenso muro fronteiriço que, como ele diz insistentemente, o México irá pagar.

Em nenhum lugar a disputa ríspida se fez sentir de forma mais aguda do que nas cidades mexicanas situadas na fronteira com os EUA, que centenas de milhares de pessoas cruzam todos os dias para trabalhar e que funciona como uma ponte para 500 bilhões de dólares de comércio bilateral anual.

Trump já acusou o México de enviar estupradores e traficantes de drogas pela divisa, levando o governo do México a acusá-lo de incitar o ódio e despertando temores na fronteira de que o preconceito racial esteja se tornando mais aceitável.

O magnata diz que pode descartar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), que entrou em vigor no México, nos EUA e no Canadá em 1994, e ameaçou impor tarifas de até 35 por cento em bens de fabricação mexicana para ajudar a indústria norte-americana.

"Estamos muito preocupados. Sabemos o que Donald Trump está pretendendo fazer, que é limitar as importações, ele quer fabricar tudo nos EUA", disse Marcello Hinojosa, presidente do grupo industrial Canacintra na cidade fronteiriça de Tijuana. 

"Mas isto foi analisado tanto pelos Estados Unidos quanto pelo México e é suicídio para os dois países".

Líderes empresariais mexicanos dizem que cerca de 40 por cento das exportações da média das fábricas de seu país é composto de conteúdo norte-americano e argumentam que os dois setores manufatureiros estão tão intimamente ligados que é impossível adotar medidas contra um sem prejudicar o outro.

Trump, que pesquisas de opinião colocam atrás de sua rival democrata Hillary Clinton, mas em uma corrida acirrada, diz que o México está "matando" os EUA nas trocas comerciais. Mas o comércio entre os vizinhos cresceu muito mais rápido do que suas respectivas economias desde o Nafta, como revelam dados do Banco Mundial e dos EUA.

O México envia mais de 80 por cento de suas exportações para os EUA, e a Câmara de Comércio norte-americana diz que os empregos de cerca de 6 milhões de cidadãos de sua nação dependem do comércio com o México.

Se políticas protecionistas ganharem terreno, os preços de produtos e serviços subiriam e mais adiante as pessoas perderiam seus empregos no México, o que as pressionaria a migrar ou as exporia ao chamariz dos crimes violentos, disse Hinojosa.

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