Shell avalia que há espaço para mais investimentos no Brasil

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - A Shell avalia que há espaço para mais investimentos no setor de petróleo e gás do Brasil em um momento em que o país fica mais interessante para receber aportes após mudanças na legislação do pré-sal, disse nesta quinta-feira o presidente global da petroleira, Ben van Beurden, depois de reunião com o presidente Michel Temer.

"Esse é um movimento certo do governo, vai abrir novas oportunidades de mais players investirem no Brasil, mais capacidade e mais capital ser investido no setor. Para uma empresa como a Shell, também torna mais atrativo buscar novas oportunidades no Brasil", disse o principal executivo de uma das maiores petroleiras do mundo, que esteve acompanhado de investidores no encontro com Temer.

"Além de ser um parceiro ativo da Petrobras como operadora, a Shell também deseja ser uma operadora no Brasil tendo a Petrobras como parceiro estratégico", acrescentou ele.

As declarações foram dadas um dia depois de a Câmara dos Deputados concluir a votação do projeto que acaba com a obrigatoriedade de a Petrobras atuar como operadora exclusiva do pré-sal, o que abre espaço para a presença de mais empresas nessa importante reserva de petróleo do país. O texto agora segue para sanção presidencial.

"Vamos olhar com interesse renovado as novas oportunidades que vão surgir a partir desse novo marco regulatório porque, apesar de o Brasil já ser uma grande parte do nosso portfólio, ainda há espaço para mais investimentos", comentou.

Para o executivo, a estabilidade fiscal e jurídica será ponto central para a tomada de decisões da companhia no Brasil, algo que ele acredita estar bem encaminhado pela conversa que teve com Temer.

Segundo Beurden, a Shell será um dos maiores investidores no país, projetando investimentos de cerca de 10 bilhões de dólares nos próximos quatro anos, prioritariamente para projetos no pré-sal em que a companhia tem parceria com a Petrobras, como a mega área de Libra, ou em meio de ativos adquiridos por meio da fusão com a BG.

Investimentos adicionais podem ocorrer nos leilões previstos para 2017, que incluem áreas no pré-sal.

"Ao mesmo tempo, vamos olhar novas oportunidades, como os leilões do ano que vem e novos leilões do pré-sal... ciente de que precisamos repor nossas reservas aqui no Brasil", declarou.

Ele disse que a companhia também está atenta a negócios no setor de distribuição, em um momento em que a Petrobras está vendendo fatia relevante na BR Distribuidora.

"Havendo oportunidade nós também vamos olhar a possibilidade de aprofundar nosso portfólio na área de 'downstream' no Brasil, que também é um setor bastante vibrante da economia", declarou.

A Shell já atua no setor em parceria com a Cosan, por meio da joint venture Raízen.

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