ENTREVISTA-Massa se despede de Interlagos e vê momento difícil para Brasil na F1

Por Alan Baldwin

SÃO PAULO (Reuters) - Felipe Massa fará a sua despedida do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 neste domingo com orgulho, paixão e um pouco de preocupação com o futuro do país no esporte pelo qual ele se apaixonou quando menino no meio do público de Interlagos.

O adolescente empolgado que pisou pela primeira no paddock de São Paulo em 1998, quando ajudou a levar suprimentos do serviço de bufê, se aposenta como um homem que realizou tanto quanto outros brasileiros na pista do país.

Nenhum brasileiro ganhou uma prova de F1 desde que o agora aposentado Rubens Barrichello venceu na Itália em 2009, e a espera por uma outra vitória pode ser longa, com o país em crise, e poucos pilotos aparecendo.

A corrida no Brasil do ano que vem tem um asterisco junto a ela no calendário provisório, com Felipe Nasr, o único provável brasileiro na F1 para a temporada, ainda tendo que ser confirmado na Sauber. 

"Eu vejo um momento muito difícil para o Brasil, um momento muito difícil para os nossos pilotos”, afirmou Massa.

"Será ótimo se o Felipe (Nasr) puder permanecer. Infelizmente, mesmo se ele ficar, ele não vai estar numa equipe boa”, disse ele à Reuters.

“Outros pilotos? Eu não vejo um nome no momento. Eu realmente espero que possamos ver um nome, porque o Brasil sempre foi muito forte em automobilismo, na Fórmula 1. Nós nunca ficamos sem um piloto brasileiro desde que o Emerson Fittipaldi começou (em 1970).”

Massa deixou de ganhar o campeonato da F1 por um único ponto em 2008 com a Ferrari, mas ele ganhou no Brasil duas vezes e chegou cinco vezes ao pódio em Interlagos.

SONHO

Ficar entre os três primeiros no domingo na penúltima corrida da temporada seria um sonho, mesmo que improvável numa Williams que tem perdido o ritmo.

"Estou realmente feliz. Emocionado, feliz porque estou tendo uma semana muito especial. Tenho certeza que o fim de semana vai ser ainda mais especial, quando os torcedores estiverem do jeito brasileiro no circuito”, declarou Massa.

“Eu sempre me lembro de onde vim, sendo um torcedor na arquibancada e torcendo pelo Ayrton Senna, Nelson Piquet, e de repente sonhando em estar aqui.”

"Para um brasileiro ganhar aqui é como ganhar o campeonato”, acrescentou ele, com 35 anos, que se despedirá de vez em 27 de novembro, em Abu Dhabi.

"Eu acho que vai ser talvez como um alívio. Eu me sinto bem com certeza. Acabou, mas estou pronto para isso”, disse.

Massa teria vencido em Interlagos três vezes se não tivesse cedido a vitória em 2007 para permitir que o então companheiro de Ferrari, Kimi Raikkonen, levasse o campeonato, um ponto na frente de Lewis Hamilton.

O britânico provocou agonia semelhante no brasileiro no ano seguinte quando Hamilton levou o título depois de uma ultrapassagem na última volta.

Apesar do golpe, o retrospecto de Massa em casa o torna mais exitoso no Brasil do que Senna, Piquet e Fittipaldi.

Massa pretende continuar no automobilismo e vai manter a base na Europa, com casa em Mônaco.

“Eu estou discutindo com três campeonatos, o WEC (mundial de enduro), o DTM (o alemão de carros de turismo) e a Fórmula E”, afirmou. “Eu vou decidir com calma.”

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