União Europeia se divide sobre como lidar com Turquia do pós-golpe

Por Gabriela Baczynska

BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia se mostrava dividida nesta segunda-feira sobre como lidar com a Turquia por sua repressão contra supostos apoiadores de um golpe militar fracassado em julho. Enquanto a Áustria liderou os pedidos para suspender a tentativa de adesão de Ancara à UE, o Reino Unido se posicionou firmemente a favor da manutenção das conversas.

Ao mesmo tempo em que 28 ministros das Relações Exteriores da UE se reuniam em Bruxelas, o presidente Tayyip Erdogan disse estar pronto para realizar um referendo sobre a continuação de conversações de adesão e também repetiu seu discurso de que irá restaurar a pena de morte, ato que irá prejudicar as negociações, caso o Parlamento aprove tal lei.

A Turquia suspendeu, demitiu ou prendeu ao menos 110 mil pessoas, incluindo soldados, juizes e professores, desde o golpe. Críticos de Erdogan acusam o presidente de usar a tentativa de golpe como pretexto para esmagar a dissidência, o que ele nega.

"Não sou a favor da continuação de negociações de entrada e acredito que essa Turquia não tem um lugar na União Europeia", disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ao chegar para a reunião em Bruxelas.

Mas Boris Johnson, ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, que planeja deixar a UE nos próximos anos, alertou contra reações exacerbadas aos eventos na Turquia, um grande e estrategicamente importante país de maioria muçulmana no flanco sudeste da União Europeia.

"Não devemos empurrar a Turquia para um canto, não devemos reagir exageradamente de maneira que seja contra nossos interesses coletivos", disse Johnson.

Apesar das crescentes preocupações sobre direitos humanos e liberdade de imprensa na Turquia, a UE muitas vezes tem reduzido suas críticas a Erdogan e seu governo, cuja cooperação é necessária para manter baixo o número de imigrantes e refugiados que chegam na Europa via Grécia vindos da Turquia.

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