Ministro de Segurança Institucional alerta para ação de crime organizado nas fronteiras

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Os principais grupos de crime organizado do país, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) têm hoje "franquias" em todos os Estados e agem nas fronteiras para internacionalizar o crime, afirmou nesta quarta-feira o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, na abertura da reunião do Cone Sul sobre segurança nas fronteiras.

"Os crimes no Brasil se organizam em torno de gangues organizadas em torno de negócios e hoje tem presença nacional. Todos os Estados têm alguma 'franquia' do CV ou do PC. Esses grupos atuam nas fronteiras buscando internacionalizar o crime organizado", afirmou Etchegoyen ao apresentar um diagnóstico inicial sobre os problemas de segurança nas fronteiras brasileiras.

"Os dois polos irradiadores são CV e CPP. O esquema mostra a profundidade de todos esses vínculos e os riscos que trazem a todas as nações presentes", completou o ministro.

O encontro, chamado por iniciativa brasileira, reúne representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai para tratar das dificuldades de controle de crimes nas fronteiras entre esses países e o Brasil.

O governo brasileiro quer tentar integrar a ação das polícias nas fronteiras do Cone Sul, definindo parâmetros para aumentar o contato entre as agências de segurança, inteligência e as aduanas dos países da região.

Um dos temas que devem ser tratados é a previsão, nos regulamentos do Mercosul, de permissão para que agentes de segurança ultrapassem as fronteiras em perseguições ou investigações onde há certeza de que o criminoso procurado está em outro país sem necessidade de autorizações especiais. Apesar da previsão existir, nunca foi regulamentada.

Durante a abertura do encontro, o presidente Michel Temer assinou um decreto criando o Programa de Proteção Integrada de Fronteiras, um programa que irá substituir o Plano Estratégico de Fronteiras. De acordo com o Palácio do Planalto, o programa irá centrar no combate aos crimes transnacionais -contrabando, tráfico de drogas, armas e pessoas.

De acordo com Temer, o plano estratégico previa "ações episódicas". "Quando se anunciava que haveria ação nas fronteiras, claro que crime se recolhia. Talvez a solução seja que haja um meio e modos que esses operações sejam permanentes e criminosos saibam que não é uma ação episódica. Temos que lançar todas nossas energias contra os crimes transnacionais", afirmou.

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