Política monetária brasileira não muda após eleição de Trump, diz Ilan

(Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quarta-feira que a política monetária no Brasil não muda com a eleição do presidente norte-americano, Donald Trump, bem como não acredita que a condução da política de juros dos países desenvolvidos possa mudar.

Em entrevista à imprensa internacional em inglês, Ilan reforçou que a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) continua valendo, de "queda gradual" da taxa de juros, e disse que os presidentes dos bancos centrais emergentes não estão combinando ações conjuntas diante da forte volatilidade dos mercados recentemente.

O BC destacou, na ata do Copom divulgada no final do mês passado, que há sinais recentes de pausa no processo de desinflação de serviços, adotando um tom mais duro em relação ao processo de corte da Selic e ressaltando que é preciso ter "persistência maior" na sua política.

O BC reduziu em outubro a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14 por cento ao ano, primeiro corte em quatro anos, avaliando que uma flexibilização moderada e gradual é compatível com a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento pelo IPCA nos próximos dois anos.

ATUAÇÃO

Ilan disse ainda que as reservas internacionais do Brasil têm sido um "seguro" neste momento, e que não há patamar de câmbio para o BC.

Ilan repetiu ainda que o importante para o BC é manter os mercados operando de maneira apropriada e que os estoques de swaps cambiais tradicionais, que equivalem à venda futura de dólares, deram maior conforto para atuar nos mercados. O presidente do BC destacou que o regime de câmbio flutuante tem funcionado no país.

O BC e o Tesouro adotaram ação conjunta na última segunda-feira para reduzir a volatilidade nos mercados de câmbio e de juros futuros. A autoridade monetária anunciou mais leilões de swaps cambiais tradicionais, enquanto que o Tesouro suspendeu os leilões de venda de LTN e NTN-F desta semana, anunciando leilões diários de compra de Notas do Tesouro, Série F (NTN-F).

A atuação coordenada veio após a forte volatilidade nos mercados financeiros, com os investidores temerosos que a política econômica de Trump seja inflacionária e, assim, obrigue o Federal Reserve, banco central norte-americano, a elevar mais os juros na maior economia do mundo, com potencial para atrair recursos aplicados hoje em outros mercados, como o brasileiro.

Ilan disse que não sabe se período benigno para mercados emergentes acabou, mas ressaltou que os bancos centrais de países emergentes não estão tratando de ações conjuntas.

(Texto de Patrícia Duarte)

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